Queria me masturbar pensando em você agora. Queria que me possuísse de todas as maneiras possíveis, queria me livrar do peso de mim e ser de outra pessoa. Queria ser seu. Resolvi escrever, porque é algo que faço e me distrai de você e me mostra como sou. Vou saindo de mim e virando essas palavras. Da pra me entender assim? É que sou tão óbvio com o que sinto que da até vergonha. Acho que tô me transformando num criminoso. Quero coisas que não podem ser minhas. Me escondo e vou pegando tudo. Venha ver como eu roubo as coisas e digo que são minhas. Faço isso porque na verdade não tenho nada. É que não me esforço o suficiente ou não tenho sorte. Existe essa coisa de sorte? Não acredito muito. Na verdade fico receoso de ser o que sou perto de você, mas também não tenho a cara de pau de mentir. Vou sendo o que posso, quase sempre exagero por ser demais. Analiso tudo demais. Disseram que eu reclamo muito, provavelmente é verdade. Acho que quero demasiadamente essa coisa e não sei como chegar até lá. Tropeço pra cacete e vou derrubando quem tá no caminho, não por crueldade, é que sou desastrado mesmo. Creio que tenho fetiche de ser dominado, porque também não tenho domínio sobre mim. Sei que não deveria ter dito nada, acabo atrasando as coisas e isso pode nos levar a lugar nenhum, tudo por eu não saber controlar minha ansiedade. Tenho essa ânsia de amar, devo ser assim porque nunca fui realmente amado por um homem. Acho que perdi muito da minha sanidade junto com os pedaços que tiraram do meu coração. O sangue todo que perdi não me fez bem. Minha fome e meu desespero ficam evidentes, ficam estampados na minha cara, cada palavra me denuncia. Como sempre vou criando um amor que só existe pra mim e esse amor me faz companhia. A solidão não é tão solitária quando estamos apaixonados, nos aquece um pouco e outras vezes nos transforma em brasa. Nessas vezes meu corpo carbonizado agoniza em seu nome. Não queria que fosse assim. É tão difícil admitir que certas coisas falam por si mesmas e não podemos controlá-las. Acho que me acostumei a sofrer do coração, mesmo sem ter problemas cardíacos. Comigo tudo acontece rápido demais quando se trata de gostar de alguém, por dentro as coisas acontecem em outra velocidade, uma velocidade que não entende distancia. Como se não houvesse tempo pra espera, como se não houvesse tempo o suficiente para saborear antes de engolir. Quando tento evitar a queda, geralmente é porque já estou caído. Sou sempre o primeiro a dizer, não consigo segurar o que penso, me entrego. Odeio-me por cair tão rápido e te dar a certeza de que não vou a lugar algum, vou estar aqui pra quando precisar ou quiser me amar. Tenho raiva por não saber jogar e deixar as cartas expostas na mesa, quando na verdade, todos sabemos que é preciso escondê-las e usá-las na hora mais apropriada. Entrego o jogo e o jogo perde a graça. Antes que acabe eu tento aproveitar enquanto ainda está suculento, enquanto ainda está no começo, com o frescor do que é intocado. Depois tudo vai ficando sem gosto, como quando provamos algo muito doce e depois qualquer coisa que não seja tão doce parece amargo. Fico aqui remoendo, puxando assunto de onde não há, tentando deixar você entretido, talvez para que goste de mim, talvez para que se distraia o suficiente a ponto de não perceber meus defeitos. Escrevo sobre o que não sei por que é minha tentativa de descobrir o que é. Quero que você permaneça nesse sofá, quero que permaneça aí e fale comigo. Sei que você não sente por mim o que sinto por você, seria muita sorte, e se a sorte existe, ela num vai muito com a minha cara. Fico todo dolorido por dentro quando gosto de alguém, é como se um novo órgão nascesse em meio aos outros e até se acomodar causasse esse incomodo. É uma mistura de prazer e dor. Eu só queria ser bom o suficiente para alguém que fosse bom o suficiente para mim. Enquanto isso escrevo. A solidão vai me custando a razão. Espero por você ou pelo amor que você pode ou não trazer. Virei um clichê. Enquanto não chega, vou escrevendo, e, na sua ausência, carrego um peso, como se te levasse nos ombros por onde vou.
sábado, 24 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
O mundo tá demorando tanto pra acabar
O mundo tá demorando tanto pra acabar. Achei que não fosse demorar tanto assim. Pessoas especiais sempre passam por mim e eu sempre arrumo um jeito de estragar as coisas, ás vezes estrago tão rápido que é como uma ejaculação precoce. Uma ejaculação tão veloz que o prazer é inexistente. Sempre a antecipação. Vem a paranoia e acabo tomando um tiro, antes mesmo de perceber que alguém puxou o gatilho. E essa pressão para que tudo seja perfeito espanta qualquer pretendente. Sobre o que estou falando? Estou tentando transformar minha frustração em texto. Essa é sempre minha saída. Escapo nas linhas. Escapo assim para não cometer uma loucura. Me vejo melhor nos parágrafos. Acho que você sabe disso. O som que sai das minúsculas caixas de som do fone de ouvido me traz uma música depressiva que é bem minha cara. Joy Division talvez. Aumento o volume. Tento não ser tão repetitivo. Crescer é algo que não da, acho que meu corpo não alcança o que quero crescer, acho que não é possível. Só sei que quero tirar o peso que me impede de dar o primeiro passo. Fico em dúvida sobre a felicidade e essas coisas que os humanos inventam para tentar preencher todos os vazios. Porque os vazios são muitos e não há felicidade que chegue. Tenho preguiça de viver, é algo que me pesa ao acordar. É a falta de vontade de vida. Não que a morte seja interessante, ela não é. Não estou pronto para acabar, de qualquer forma, não sei como começar e permaneço pausado. Como se eu deixasse para começar a viver amanhã. É um medo ou repulsa de tudo e todos. É mais medo e repulsa de mim mesmo. A vida é uma merda, e essa certeza sempre me vem nas piores horas, nas que eu corro mais risco, nas que eu estou disposto a tudo. Venho escorregando desde num sei quando, feito cão sem dono, eu já devo ter dito isso, ou alguém mais esperto do que eu, porém preciso dizer de novo, eu vou abanando o rabo em busca de carinho ou atenção ou o que quer que seja e sempre confundo tapas com afagos. A vida só vale à pena se houver romance. O resto apodrece. Aquilo que por ignorância tentamos nomear e chamamos de amor, nos da algo que é um tempero. O resto é insosso. Mesmo durando pouco tempo, romance é um pouco de mágica, romance nos leva pra outro lugar, um bem melhor que esse, o tempero que dura não importa. E se for amor, que dure pra sempre, mesmo longe, mesmo separados, amor é tipo um diamante bruto que vai sendo lapidado, e se no processo ele for abandonado, ele continuará lá, em algum lugar bem dentro, com a beleza do que foi, com as marcas do processo. Nunca fui romântico, você deve saber disso melhor do que eu, o problema é que me entrego ao sentimento e acho que isso é ser romântico, mesmo que eu não saiba dizer coisas bonitas. Mesmo que eu não goste de buquês de rosa. Na verdade, hoje em dia já não acho buquês de rosa algo assim tão brega, se um cara me desse flores eu iria gostar, pois além de ser um gesto carinhoso seria muito corajoso. Homem dando flor pra homem, onde já se viu? E sempre me encanto nas primeiras frases, é sempre mais doce no começo, as cores são tão lindas. Todos que conheço parecem ser caras legais e eu sempre pareço estar desesperado. As pessoas parecem se interessar por mim instantaneamente, talvez porque pensem que eu sou um artista, daqueles incompreendidos ou não sei, aí descobrem que eu sou mais velho do que pareço e que conquistei menos coisas do que eles, que, aliás, quase sempre são mais jovens e geralmente mais bonitos que eu. Acho que já estou começando a gostar de alguém de novo. Talvez fosse melhor fugir enquanto posso, pois depois as teias da paixão irão me prender de tal forma que não conseguirei evitar e se não der certo uma aranha enorme horrorosa e peluda (que é a desilusão) irá me devorar. Chega de usar metáforas ruins. O que sinto e não controlo é a vontade de amar e ser retribuído, pois se existe felicidade, ali mora um bom pedaço dela.
domingo, 21 de agosto de 2011
O ócio que me empurra
Deitado no sofá de jeans e camiseta, com os pés jogados sobre o braço da mobília, que já não é tão nova, busco por canais que me digam alguma coisa. Fico mudando sem parar, automaticamente, não dou atenção à tela: Um trecho do vídeo Losing My Religion, a risada estranha e divertida do Bob Esponja, a Kate Winslet de cabelo colorido em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Não consigo me aprofundar em nada, vejo tudo de longe, sem ver. O foco da visão é só uma desculpa para parar os olhos em algo, não reparo no que estou vendo agora, pois estou vendo além. Se eu tivesse controle remoto para minha mente, vez ou outra, eu desligaria ela. É que tenho mais lados do que podem ver. Me identifico com os ridículos. Me identifico com os que rastejam. Consigo me ver também ali, nos que não prestam. Essa ociosidade vai me levando pra longe. Vou me embriagando com vícios que nem sempre são bons: Amor, sexo, esperança, internet, um bom livro ou um disco. Minha prateleira empoeirada espera por novidades. Vivo mais em redes sociais porque assim é mais fácil achar os amigos que a vida real me esconde. Não preciso de muitos, só alguns, bons e que consigam conversar comigo sem me chamar de louco a cada cinco minutos. Ás vezes minhas estranhezas ficam evidentes demais ou qualquer atitude inesperada julgam como perca de sanidade. Por um momento pensei em fazer sexo com mais freqüência, para me distrair da dor que trago no coração. Entregar-me a carne, ao corpo, me distrair e assim não sofrer. Da pra entender essa lógica? Tentei fazer isso uma vez e não deu certo, pois todo corpo tem um coração e eles são inseparáveis. Queria fazer sexo e sair impune. Queria poder amar e sair impune. Há leis que quebramos e nem sabemos, pagamos por nossos crimes sem saber quais foram. Sou um criminoso por seguir meus instintos que sempre me levam para o lado errado. A repetição de meus dias. A rotina é inebriante mal percebo que estou escravo dela e é melhor assim, pois sem ela não saberia o que fazer e provavelmente não faria nada. Não é amor, não sei o que seja, é algo forte, é confuso, é a minha fragilidade me jogando em direção a uma tormenta, é eu querendo sair de mim. O amor platônico é como se uma pessoa pudesse entrar numa mansão e desfrutar dela, mas por receio, ela se contenta em ficar fodendo a porta da frente. É que há o risco de te tirarem a porta e te jogarem na sarjeta. É um risco a se correr. E é tão difícil abrir mão da maçaneta dourada. Então você fica ali, sem entrar nem sair, gozando de um sentimento que é só seu e não faz nada para mudar, por medo de perder o que tem ou de ganhar o inimaginável. Não sei quando me tornei essa pessoa perturbada emocionalmente, que não consegue ter uma noite de sono tranquila sem ter que parar para aliviar a tensão de uma ereção inesperada. E essas ereções inesperadas estão cada vez mais frequentes e não só à noite. Sou uma obra inacabada. Sou um trabalho ainda sendo feito. E o que quero é sempre o que é proibido ou o que está longe demais de minha mão. E o que eu quero não encontro mudando de canais, ou lendo, ou me masturbando, ou fazendo sexo, ou amando um desconhecido, ou ouvindo a melhor música do ano. O que eu quero é maior do que entendo. O que eu quero é poder chamar esse caos de minha paz. Queria esticar tanto meus pés na poltrona que sem querer esbarraria numa revelação. E essa revelação me tiraria pra sempre desse marasmo que me meti. Marasmo de estar sempre em encrencas e sempre nessa baderna de sentimentos que muitas vezes são ambíguos. Esse marasmo não é calmo. Tiro os pés descalços do braço do sofá e coloco-os no chão. Os vejo tocar o chão, mas não sinto. A vida sempre apronta comigo, sempre me faz gostar de quem não posso ter. Sempre me faz viver longe de onde estou. Me transformei nessa mosca morta e não sei mais viver na forma humana, só sei errar e pousar onde ninguém mais arrisca tocar. Só sei viver de forma moribunda e não sei resolver meus próprios problemas sem dividi-los com meia dúzia de pessoas. Minhas paixões estão tão frequentes quanto as ereções. O quê? Acho que vomitei em meus próprios pés e esse texto é o que saiu de mim. Ansiedade é algo que começa no estomago.
sábado, 20 de agosto de 2011
Indigestão
O dia passa e me encho de junkie food. Essa é a melhor maneira de passar o tempo e desviar do tedioso desanimo que me vem em finais de semana, pois vejo que eles nada têm de diferente dos outros dias da semana. Meu estomago já vai me dizendo meus erros e os mostra na forma de dor ou mal-estar. Estou ficando cada vez mais magro pois não perco só quilos, perco também o pouco que tinha de razão. Where is my mind? Eu não deveria estar sentindo isso e vou me punindo antes de qualquer coisa se confirmar. Estrago tudo antes de ter algo concreto. Perco meu bom-humor costumeiro e já não se pareço comigo. Não consigo fazer piadas sem falhar. Os assuntos me fogem. Está cada vez mais difícil falar com você sem dizer tudo que quero. E eu posso estar errando em adiar isso tudo, pode ser que eu devesse falar tudo que sinto agora, pois nunca se sabe amanhã, nunca se sabe até quando poderei segurar tudo isso aqui dentro, ou, até quando você estará disposto a me ouvir. Digo que está cada vez mais difícil falar com você porque eu quero demais esse momento, eu espero, e quando nele, me perco. Não é medo, é que os hematomas que trago me fazem ter cautela. Vou dizendo o que sinto pouco a pouco, para evitar o impacto e possíveis danos. Tenho cuidado ao revelar, pois nem eu entendo, eu só sei que é carinho e admiração, outra coisa eu não posso dizer que é, mas cresce a cada dia. Assisto a outra pessoa entrar na sua vida e ele está bem mais perto de conseguir o que eu quero. Tento não ter ciúmes. O que sinto é perigoso demais e estou longe. Prefiro que você seja feliz com quem quer que seja, já que o quero é quase impossível. Meu receio em confessar o que sinto é porque estaria declarando o quão fragilizado estou, o quão vazio meu coração está, pois você mal chegou e já o tomou de mim. Eu assisto tirarem da minha mão o que eu nunca tive. O problema é que ando me iludindo demais. Queria poder saber mais de você, saber pra senti-lo mais perto e tentar esquecer todo esse chão que nos separa. Gostaria de saber até o pior. Não julgo quando ouço algum segredo sórdido, antes tento entender, e sempre acabo não julgando pois encontro possibilidade daquilo em mim. Não era pra ser assim, eu estou errando em falar sobre isso, porque quanto mais eu falo, mais isso vai se tornando real. E eu preciso esquecer antes que faça mal. O jeito é apelar para pessoas ainda mais carentes do que eu.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Texto sem nome
Esse texto é um nó. Vou tentar desatá-lo escrevendo-o da melhor forma que puder, mas acho que só estou afim de criar confusão. Há dias tenho bebido café demais e esqueci o que significa álcool. Minha imagem não está tão clara. Estou desaparecendo. Faço coisas que deixam meu desespero evidente. Não estou conseguindo acompanhar o passo do tempo. Não estava sonhando, não, isso seria impossível, pois meus olhos estavam bem abertos e vidrados na coisa que passava na televisão e não lembro o que era. Talvez fosse o efeito dos comprimidos que acabara de tomar devido a uma gripe que me pegou de surpresa justo no fim de semana. Não era um sonho, havia alguém comigo. Eu estava deitado em seu peito, não muito musculoso, pele morena, sentia seus pelos macios em minha face e em meu ouvido seu coração não poderia falar mais alto. Ele dizia coisas sobre você. Eu ando estranho ultimamente com essa coisa de sonhos, é que você tá sempre presente neles, e só em sonho mesmo alguém como você ficaria comigo. Não consegui ler. Tentei me concentrar em linhas, não pude. Precisei escrever. Escrever é o modo que encontrei de deixar o que sinto sair para passear. Vi uma garota na rua rindo exageradamente e acho que notei algo atrás do riso. Aquela alegria toda escondia mais que um traço forte de desespero. Havia um desespero nela que saia na forma de riso e isso era assustador. As vezes falo a verdade brincando, algo que quero muito, para ver se a pessoa entende e vem brincar comigo, de verdade. Espero que você ainda goste de mim quando o mistério acabar. Tava ouvindo Coldplay e me lembrei de como eu costumava gostar dessa banda. Foi um momento de nostalgia. Ainda gosto das coisas antigas que eles fizeram. Andei me deixando entristecer. Eu prefiro as músicas tristes. Me transformei e meu corpo continua o mesmo. Preciso de algumas tatuagens ou piercings. Algo que reflita por fora as mudanças de dentro. Nesses últimos meses amadureci muito. Sou esse monstro preso em corpo de humano. Minha insegurança insiste. Há a possibilidade de que eu me deprecie dessa forma para que o interlocutor se comova e me encha de elogios, e, assim, mesmo que por um breve momento, eu me sinta melhor. Há a possibilidade de eu realmente acreditar que sou inferior. Não sei bem receber elogios pois na maioria das vezes não acredito neles. Não me arrependo do que fiz pelo simples fato de que transformo erros em lições. Pode ser que eu tenha mesmo me precipitado em fazer sexo com o primeiro estranho que apareceu. Tá, não foi o primeiro estranho a se disponibilizar a me oferecer sexo, mas sei lá, foi tudo tão rápido. Disseram-me que eu estou pior que uma prostituta, pois nem cobro. Não levei a sério esse comentário, a pessoa que o fez deveria estar com muito ciúmes, então achei irrelevante me irritar a toa. Em minha defesa poderia ter alegado que fazia muitos meses que eu não fazia sexo e que minha vida sexual é praticamente nula, isso se não fosse alguns minutos diários que tenho com minha mão. Só porque eu fiz sexo uma vez, dentro de sete ou oito meses, isso não faz de mim um puto. Minha vida amorosa também é inexistente, por isso fico sempre tentando inventar uma. Sobre meu ex o que sobrou foi dor. Sempre dói, mesmo quando nossas conversas são leves e cheias de gargalhadas, pelas coisas que perdi e nunca mais vou recuperar e também pelas coisas que quase abri mão por causa dele. Aqui não tenho medo de mostrar o pior de mim, por isso corro risco o tempo todo e por isso seguro a onda quando alguém não entende e tenta me agredir com palavras. A única diferença entre eu e o agressor, é que eu assumo o que eu faço, enquanto ele se esconde. O sexo pode te devolver a sanidade. Sexo casual pode ser saudável em situações extremas. Vi um filme Cult, daqueles que não acontece quase nada, mas você insiste por conta da bela fotografia ou porque é de um diretor europeu conceituado e de nome difícil. Costumava adorar esse tipo de filme, eu me identificava com esses personagens estagnados ou simplesmente acreditava que a minha vida daria um ótimo roteiro. Agora já não tenho tanto tempo a perder e já não me vejo ali. Ando errado. Será possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Sempre tive essa dúvida. Talvez, se o coração for grande o suficiente ou o amor. Você está morando em meu subconsciente. Não pense que lhe persigo. Não quero lhe assustar. É que você está de alguma forma em mim, sem querer, de um jeito que eu não percebo, só quando me distraio, ou tiro um cochilo, aí você aparece. Você me ligou e esse sonho foi o mais legal que tive nesses últimos dias. Talvez eu esteja só estragando o que poderia ser uma linda amizade. Não sei o que sinto e cansei de tentar dar nome a essas coisas. Ando vagando em meu subconsciente e pretendo morar lá, pois lá tenho sua companhia, e ter você por perto é tudo que preciso. Que se foda a realidade!
sábado, 13 de agosto de 2011
Sobre um novo amigo ou a minha falta de voz ao telefone
Havia um sei-lá-o-quê no meu estomago. Senti uma mistura desajustada de excitação, ansiedade, curiosidade e medo. Para uma pessoa normal seria apenas mais um telefone, para mim era uma muralha que eu nem sabia se conseguiria atravessar. Já tinha te visto pela webcam algumas vezes e ouvido sua voz em algumas gravações, isso somado a nossas conversas cheias de piadas de duplo sentido e segredos, me fizeram sentir confortável, com direito de te ligar. Fui para a garagem que fica no quintal, para ter um pouco mais de privacidade. Encontrei seu número de telefone em meus contatos e disquei. Você atendeu mais rápido do que eu esperava. Eu queria começar dizendo o seu nome, só saiu um "alô" meio torto. Dai eu comecei a andar de um lado pro outro da garagem e me veio aquilo que me trava a voz. Falei: "Felippe?". Mentalmente eu percebi que havia falado errado o seu nome, não disse nada. Como eu pude ser tão idiota e trocar as letras? É Filippe, com "i". Acho que você concordou dizendo que era você mesmo quem estava falando, não consegui ouvir direto devido ao barulho. Perguntei onde você estava e descobri que estava em um elevador. Eu ri, pois se fosse eu em sua pele, não conseguiria falar, com pessoas estranhas me encarando ou apenas ouvindo minha conversa. Fiquei calado por alguns instantes. Eu sabia que não conseguiria inventar perguntas suficientes para segurar aquele telefonema por muito mais tempo. Esperei lembrar de algo engraçado pra falar, ou algum assunto interessante. Não conseguiria carregar aquela conversa sozinho. Tá certo que não era o melhor momento para se jogar conversa fora. Eu não queria parecer um chato e quando o silêncio apertou e você notou, eu disse: “Silêncio profundo e constrangedor”. Nós rimos. Perguntei se você iria ao cinema, pois lembrava de termos falado algo sobre isso um dia desses. Parece que agora o plano era outro. Rodízio? Era isso mesmo. Não queria fazer papel de bobo e creio que já estava fazendo. Minha voz de gralha rouca ou agonizante, falhava. Eu esticava demais os "és", e a mistura de meu sotaque que é meio caipira e meio baiano, deixava-me ainda mais inseguro. Creio que não passaram mais de dois minutos. Mais uma vez provei minha inabilidade para interações via telefone. Ao desligar fiquei querendo mais. Havia ouvido pouco sua voz. Acho que precisava de mais uma dose dela. Com o nervosismo acabei esquecendo de falar que sonhei com você. Foi chato pois eu sonhei que estava falando com você pela internet quando o que eu queria era ter sonhado com você ao vivo, do meu lado. Depois de desligar fiquei meio trêmulo, meus joelhos não respondiam como deveriam e isso fazia minha perna bambear. Respirei fundo. Acredito que na próxima vez estarei mais relaxado e a conversa irá fluir melhor. Não sei o que sinto por você. É recente demais. É algo como cócegas no umbigo. Um formigamento no peito. É algo quente e bom. Você chegou bem na hora que eu mais precisava de um amigo e isso fez de você importante pra mim. Sei que te atormento com meus problemas imbecis, nesses rolos que me enfio nem sei como, e agradeço por me aturar e sempre ter um bom conselho pra dividir. Quero que você saiba que és lindo e não tô dizendo isso só pra te agradar, não sou desses, nunca duvide da sua beleza. Qualquer pessoa será muito sortuda se um dia tiver o privilégio de ser seu namorado ou ada. Agora você deve estar pensando: "Eu nem conheço esse cara, ele deve ser louco". Explicar foge de minha mão. Eu precisava dizer umas coisas e acho que nunca diria se não fosse desse jeito. Entendo que o tempo tende a separar as pessoas, mas do fundo do meu coração espero que possamos ter muito tempo de risadas juntos. E que motivos para rir não faltem.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Não estou falando das preliminares
Estou escrevendo em retalhos. Ele só queria saber que ainda penso nele, agora eu sei, por isso ele me ligou. Quando sabe que ainda penso nele, ele some. Gostaria de ter um muro que me cercasse. Se tenho, ele é de vidro. Não me protege, me expõe e quebra fácil. Gostaria de amar essa nova pessoa que entrou em minha vida. Não posso dar amor e não receber nada em troca, chega disso. Preciso de um novo muso. Alguém que me faça perder a vontade de olhar para qualquer moço bonito que passa ou que me faça parar de procurar abrigo onde não devo. Encontrei alguém legal e que me faz bem, somos apenas amigos e isso tá tão legal que tenho medo que mude. Tento não deitar no chão esperando que pisem em mim. Tento levantar sozinho. O cara de Porto acha que ele não significa nada pra mim. Ele ficou bravo comigo. Meu ex sumiu. Não sei se é pior quando ele fica remexendo na ferida ou quando desaparece. Preciso inventar um novo eu, porque esse aqui tá um saco. Meus textos estão novamente repetitivos e sem sabor. Isso me consome. Se ele me pedisse, eu estaria ao lado dele agora. E não estou falando do meu ex, estou falando desse novo amigo que por medo não o deixo entrar. Por medo de assustá-lo com a revelação do que sinto. Meu muso não precisa de malhação ou depilação, só precisa ser meu. Devo ter atingido o extremo da carência, pois ando vendo coisas onde não tem. Não sou assim, me fizeram ser e estou sendo. Havia algo errado ali, quando o cara de Porto Seguro me chupava, eu tive que interrompê-lo várias vezes porque doía. Uma dor confusa que num dava pra saber se era de dentro ou de fora. Curar a falta de um amor usando o sexo é meio clichê e não faz sentido. É que estou vazio. É que olhar isso aqui é pisar no nada. É que quando você lê uma linha do que escrevo você está sentindo o sabor de alguém que perdeu tudo e tenta se achar em meio ao que sobrou, e nada sobrou. É como estar num deserto. Um deserto enorme que não tem nem areia e nem calor. É frio. Posso não estar pronto para falar tão abertamente sobre mim. Também as pessoas podem não estar prontas para ouvir alguém que fale tanto de si mesmo e tão abertamente. O ex disse que eu não deveria ter transado com o primeiro cara que apareceu. Ele sugeriu um porre ou um cigarrinho de maconha. Involuntariamente escolho a pior saída. Chega desses olhos cansados de tentar chorar em vão, pois secas, as lágrimas ardem sem cair. Apostei num romance falido. Claro que eu não seria o escolhido. Os traumas que tenho me fizeram de um jeito que não tenho concerto. É preferível alguém bem mais jovem e menos problemático. Algo me diz que eu só perdi, pois eu fico menos tempo on line, isso não faz diferença agora. Só sei que eu nunca perdoarei meu ex por ter me largado daquele jeito, tão vulnerável e sozinho. Eu me trai. Eu voltei a falar no que não queria. É óbvio que é mais fácil ser feliz com alguém ao seu lado. Um dia eu ganho. Foi bom eu ter viajado pra Porto Seguro. Foi bom eu me sentir desejado, mesmo sabendo que no fundo eu nunca vou deixar de ser esse garoto estranho e feio. Vou olhando pra dentro tentando ver o reflexo do mundo. É esse reflexo que sou quando escrevo. Sobre perca de foco e não saber distinguir o que sinto. Tô precisando de tantas coisas que nem sei por onde começar. Alguns livros, uma viagem e um amor, seria legal começar por aí. Antes preciso de umas vitaminas que me fortaleçam, pois ando sensível demais, onde encosto eu fico. Tem dias que bate aquela deprê e não há pra onde fugir. Preciso desaprender a me apaixonar, pois ando caindo de amores por pessoas que nem sei. Acho que voltei a ter amores platônicos. E vou perdendo a fé nas coisas que já me deixaram.
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