
É um fluxo inevitável:
Pensamentos;
Sentimentos;
Palavras;
Sangue.
Corre por todo corpo.
É como caçar leopardo no mangue.
Só o que encontro são beliscões e lama. Terra negra, barro.
Sujo-me porque assim me sinto mais eu.
Quero ver (ainda não vi) algo novo. Nova arte. Nova estrutura pura dura urra de palavras.
Não qualquer coisa, que qualquer eu faria.
Quero algo novo mesmo, algo que arranque os olhos de surpresa.
Nova semana de arte moderna, pós-moderna.
Nova revolução interna e externa.
Anarquismo!!!
Voz é o eu quero. Eu mesmo sou gago e repito a mesma sílaba vária e várias vezes:
Cú – Cú– Cul– Cultura!!!
Cadê o novo?
Ahhh... de novo não!
As vezes é preciso ser pretensioso, afinal despretensão fajuta é pior.
É preciso desprender (é isso o que estou tentando fazer agora).
Vomitar
Cuspir
Limpar-se
Cortar as unhas.
O que sobrar é a arte. Não! A sujeira é a arte! É a arte da realidade, de dizer o que realmente está entalado.
Não à rebeldia gratuita. É preciso ter algo a dizer. Não à rebeldia controlada!
- Vai se foder PORRA!
Não são só gritos, nem só arranhões. Além da voz e do soco. É necessário encontrar sua própria língua. Idioma da alma, do fundo interno mais estranho e por isso novo.
Escrito por Rafael Franco