domingo, 21 de agosto de 2011

O ócio que me empurra


Deitado no sofá de jeans e camiseta, com os pés jogados sobre o braço da mobília, que já não é tão nova, busco por canais que me digam alguma coisa. Fico mudando sem parar, automaticamente, não dou atenção à tela: Um trecho do vídeo Losing My Religion, a risada estranha e divertida do Bob Esponja, a Kate Winslet de cabelo colorido em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Não consigo me aprofundar em nada, vejo tudo de longe, sem ver. O foco da visão é só uma desculpa para parar os olhos em algo, não reparo no que estou vendo agora, pois estou vendo além. Se eu tivesse controle remoto para minha mente, vez ou outra, eu desligaria ela. É que tenho mais lados do que podem ver. Me identifico com os ridículos. Me identifico com os que rastejam. Consigo me ver também ali, nos que não prestam. Essa ociosidade vai me levando pra longe. Vou me embriagando com vícios que nem sempre são bons: Amor, sexo, esperança, internet, um bom livro ou um disco. Minha prateleira empoeirada espera por novidades. Vivo mais em redes sociais porque assim é mais fácil achar os amigos que a vida real me esconde. Não preciso de muitos, só alguns, bons e que consigam conversar comigo sem me chamar de louco a cada cinco minutos. Ás vezes minhas estranhezas ficam evidentes demais ou qualquer atitude inesperada julgam como perca de sanidade. Por um momento pensei em fazer sexo com mais freqüência, para me distrair da dor que trago no coração. Entregar-me a carne, ao corpo, me distrair e assim não sofrer. Da pra entender essa lógica? Tentei fazer isso uma vez e não deu certo, pois todo corpo tem um coração e eles são inseparáveis. Queria fazer sexo e sair impune. Queria poder amar e sair impune. Há leis que quebramos e nem sabemos, pagamos por nossos crimes sem saber quais foram. Sou um criminoso por seguir meus instintos que sempre me levam para o lado errado. A repetição de meus dias. A rotina é inebriante mal percebo que estou escravo dela e é melhor assim, pois sem ela não saberia o que fazer e provavelmente não faria nada. Não é amor, não sei o que seja, é algo forte, é confuso, é a minha fragilidade me jogando em direção a uma tormenta, é eu querendo sair de mim. O amor platônico é como se uma pessoa pudesse entrar numa mansão e desfrutar dela, mas por receio, ela se contenta em ficar fodendo a porta da frente. É que há o risco de te tirarem a porta e te jogarem na sarjeta. É um risco a se correr. E é tão difícil abrir mão da maçaneta dourada. Então você fica ali, sem entrar nem sair, gozando de um sentimento que é só seu e não faz nada para mudar, por medo de perder o que tem ou de ganhar o inimaginável. Não sei quando me tornei essa pessoa perturbada emocionalmente, que não consegue ter uma noite de sono tranquila sem ter que parar para aliviar a tensão de uma ereção inesperada. E essas ereções inesperadas estão cada vez mais frequentes e não só à noite. Sou uma obra inacabada. Sou um trabalho ainda sendo feito. E o que quero é sempre o que é proibido ou o que está longe demais de minha mão. E o que eu quero não encontro mudando de canais, ou lendo, ou me masturbando, ou fazendo sexo, ou amando um desconhecido, ou ouvindo a melhor música do ano. O que eu quero é maior do que entendo. O que eu quero é poder chamar esse caos de minha paz. Queria esticar tanto meus pés na poltrona que sem querer esbarraria numa revelação. E essa revelação me tiraria pra sempre desse marasmo que me meti. Marasmo de estar sempre em encrencas e sempre nessa baderna de sentimentos que muitas vezes são ambíguos. Esse marasmo não é calmo. Tiro os pés descalços do braço do sofá e coloco-os no chão. Os vejo tocar o chão, mas não sinto. A vida sempre apronta comigo, sempre me faz gostar de quem não posso ter. Sempre me faz viver longe de onde estou. Me transformei nessa mosca morta e não sei mais viver na forma humana, só sei errar e pousar onde ninguém mais arrisca tocar. Só sei viver de forma moribunda e não sei resolver meus próprios problemas sem dividi-los com meia dúzia de pessoas. Minhas paixões estão tão frequentes quanto as ereções. O quê? Acho que vomitei em meus próprios pés e esse texto é o que saiu de mim. Ansiedade é algo que começa no estomago.

sábado, 20 de agosto de 2011

Indigestão

O dia passa e me encho de junkie food. Essa é a melhor maneira de passar o tempo e desviar do tedioso desanimo que me vem em finais de semana, pois vejo que eles nada têm de diferente dos outros dias da semana.  Meu estomago já vai me dizendo meus erros e os mostra na forma de dor ou mal-estar. Estou ficando cada vez mais magro pois não perco só quilos, perco também o pouco que tinha de razão. Where is my mind? Eu não deveria estar sentindo isso e vou me punindo antes de qualquer coisa se confirmar. Estrago tudo antes de ter algo concreto. Perco meu bom-humor costumeiro e já não se pareço comigo. Não consigo fazer piadas sem falhar. Os assuntos me fogem. Está cada vez mais difícil falar com você sem dizer tudo que quero. E eu posso estar errando em adiar isso tudo, pode ser que eu devesse falar tudo que sinto agora, pois nunca se sabe amanhã, nunca se sabe até quando poderei segurar tudo isso aqui dentro, ou, até quando você estará disposto a me ouvir. Digo que está cada vez mais difícil falar com você porque eu quero demais esse momento, eu espero, e quando nele, me perco. Não é medo, é que os hematomas que trago me fazem ter cautela. Vou dizendo o que sinto pouco a pouco, para evitar o impacto e possíveis danos. Tenho cuidado ao revelar, pois nem eu entendo, eu só sei que é carinho e admiração, outra coisa eu não posso dizer que é, mas cresce a cada dia. Assisto a outra pessoa entrar na sua vida e ele está bem mais perto de conseguir o que eu quero. Tento não ter ciúmes. O que sinto é perigoso demais e estou longe. Prefiro que você seja feliz com quem quer que seja, já que o quero é quase impossível. Meu receio em confessar o que sinto é porque estaria declarando o quão fragilizado estou, o quão vazio meu coração está, pois você mal chegou e já o tomou de mim. Eu assisto tirarem da minha mão o que eu nunca tive. O problema é que ando me iludindo demais. Queria poder saber mais de você, saber  pra senti-lo mais perto e tentar esquecer todo esse chão que nos separa. Gostaria de saber até o pior. Não julgo quando ouço algum segredo sórdido, antes tento entender, e sempre acabo não julgando pois encontro possibilidade daquilo em mim. Não era pra ser assim, eu estou errando em falar sobre isso, porque quanto mais eu falo, mais isso vai se tornando real. E eu preciso esquecer antes que faça mal. O jeito é apelar para pessoas ainda mais carentes do que eu.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Texto sem nome

Esse texto é um nó. Vou tentar desatá-lo escrevendo-o da melhor forma que puder, mas acho que só estou afim de criar confusão. Há dias tenho bebido café demais e esqueci o que significa álcool. Minha imagem não está tão clara. Estou desaparecendo. Faço coisas que deixam meu desespero evidente. Não estou conseguindo acompanhar o passo do tempo. Não estava sonhando, não, isso seria impossível, pois meus olhos estavam bem abertos e vidrados na coisa que passava na televisão e não lembro o que era. Talvez fosse o efeito dos comprimidos que acabara de tomar devido a uma gripe que me pegou de surpresa justo no fim de semana. Não era um sonho, havia alguém comigo. Eu estava deitado em seu peito, não muito musculoso, pele morena, sentia seus pelos macios em minha face e em meu ouvido seu coração não poderia falar mais alto. Ele dizia coisas sobre você. Eu ando estranho ultimamente com essa coisa de sonhos, é que você tá sempre presente neles, e só em sonho mesmo alguém como você ficaria comigo. Não consegui ler. Tentei me concentrar em linhas, não pude. Precisei escrever. Escrever é o modo que encontrei de deixar o que sinto sair para passear. Vi uma garota na rua rindo exageradamente e acho que notei algo atrás do riso. Aquela alegria toda escondia mais que um traço forte de desespero. Havia um desespero nela que saia na forma de riso e isso era assustador. As vezes falo a verdade brincando, algo que quero muito, para ver se a pessoa entende e vem brincar comigo, de verdade. Espero que você ainda goste de mim quando o mistério acabar. Tava ouvindo Coldplay e me lembrei de como eu costumava gostar dessa banda. Foi um momento de nostalgia. Ainda gosto das coisas antigas que eles fizeram. Andei me deixando entristecer. Eu prefiro as músicas tristes. Me transformei e meu corpo continua o mesmo. Preciso de algumas tatuagens ou piercings. Algo que reflita por fora as mudanças de dentro. Nesses últimos meses amadureci muito. Sou esse monstro preso em corpo de humano. Minha insegurança insiste. Há a possibilidade de que eu me deprecie dessa forma para que o interlocutor se comova e me encha de elogios, e, assim, mesmo que por um breve momento, eu me sinta melhor. Há a possibilidade de eu realmente acreditar que sou inferior. Não sei bem receber elogios pois na maioria das vezes não acredito neles. Não me arrependo do que fiz pelo simples fato de que transformo erros em lições. Pode ser que eu tenha mesmo me precipitado em fazer sexo com o primeiro estranho que apareceu. Tá, não foi o primeiro estranho a se disponibilizar a me oferecer sexo, mas sei lá, foi tudo tão rápido. Disseram-me que eu estou pior que uma prostituta, pois nem cobro. Não levei a sério esse comentário, a pessoa que o fez deveria estar com muito ciúmes, então achei irrelevante me irritar a toa. Em minha defesa poderia ter alegado que fazia muitos meses que eu não fazia sexo e que minha vida sexual é praticamente nula, isso se não fosse alguns minutos diários que tenho com minha mão. Só porque eu fiz sexo uma vez, dentro de sete ou oito meses, isso não faz de mim um puto. Minha vida amorosa também é inexistente, por isso fico sempre tentando inventar uma. Sobre meu ex o que sobrou foi dor. Sempre dói, mesmo quando nossas conversas são leves e cheias de gargalhadas, pelas coisas que perdi e nunca mais vou recuperar e também pelas coisas que quase abri mão por causa dele. Aqui não tenho medo de mostrar o pior de mim, por isso corro risco o tempo todo e por isso seguro a onda quando alguém não entende e tenta me agredir com palavras. A única diferença entre eu e o agressor, é que eu assumo o que eu faço, enquanto ele se esconde. O sexo pode te devolver a sanidade. Sexo casual pode ser saudável em situações extremas. Vi um filme Cult, daqueles que não acontece quase nada, mas você insiste por conta da bela fotografia ou porque é de um diretor europeu conceituado e de nome difícil. Costumava adorar esse tipo de filme, eu me identificava com esses personagens estagnados ou simplesmente acreditava que a minha vida daria um ótimo roteiro. Agora já não tenho tanto tempo a perder e já não me vejo ali. Ando errado. Será possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Sempre tive essa dúvida. Talvez, se o coração for grande o suficiente ou o amor. Você está morando em meu subconsciente. Não pense que lhe persigo. Não quero lhe assustar. É que você está de alguma forma em mim, sem querer, de um jeito que eu não percebo, só quando me distraio, ou tiro um cochilo, aí você aparece. Você me ligou e esse sonho foi o mais legal que tive nesses últimos dias. Talvez eu esteja só estragando o que poderia ser uma linda amizade. Não sei o que sinto e cansei de tentar dar nome a essas coisas. Ando vagando em meu subconsciente e pretendo morar lá, pois lá tenho sua companhia, e ter você por perto é tudo que preciso. Que se foda a realidade!

sábado, 13 de agosto de 2011

Sobre um novo amigo ou a minha falta de voz ao telefone

Havia um sei-lá-o-quê no meu estomago. Senti uma mistura desajustada de excitação, ansiedade, curiosidade e medo. Para uma pessoa normal seria apenas mais um telefone, para mim era uma muralha que eu nem sabia se conseguiria atravessar. Já tinha te visto pela webcam algumas vezes e ouvido sua voz em algumas gravações, isso somado a nossas conversas cheias de piadas de duplo sentido e segredos, me fizeram sentir confortável, com direito de te ligar. Fui para a garagem que fica no quintal, para ter um pouco mais de privacidade. Encontrei seu número de telefone em meus contatos e disquei. Você atendeu mais rápido do que eu esperava. Eu queria começar dizendo o seu nome, só saiu um "alô" meio torto.  Dai eu comecei a andar de um lado pro outro da garagem e me veio aquilo que me trava a voz. Falei: "Felippe?". Mentalmente eu percebi que havia falado errado o seu nome, não disse nada. Como eu pude ser tão idiota e trocar as letras? É Filippe, com "i". Acho que você concordou dizendo que era você mesmo quem estava falando, não consegui ouvir direto devido ao barulho. Perguntei onde você estava e descobri que estava em um elevador. Eu ri, pois se fosse eu em sua pele, não conseguiria falar, com pessoas estranhas me encarando ou apenas ouvindo minha conversa. Fiquei calado por alguns instantes. Eu sabia que não conseguiria inventar perguntas suficientes para segurar aquele telefonema por muito mais tempo. Esperei lembrar de algo engraçado pra falar, ou algum assunto interessante. Não conseguiria carregar aquela conversa sozinho. Tá certo que não era o melhor momento para se jogar conversa fora. Eu não queria parecer um chato e quando o silêncio apertou e você notou, eu disse: “Silêncio profundo e constrangedor”. Nós rimos. Perguntei se você iria ao cinema, pois lembrava de termos falado algo sobre isso um dia desses. Parece que agora o plano era outro. Rodízio? Era isso mesmo. Não queria fazer papel de bobo e creio que já estava fazendo. Minha voz de gralha rouca ou agonizante, falhava. Eu esticava demais os "és", e a mistura de meu sotaque que é meio caipira e meio baiano, deixava-me ainda mais inseguro. Creio que não passaram mais de dois minutos. Mais uma vez provei minha inabilidade para interações via telefone. Ao desligar fiquei querendo mais. Havia ouvido pouco sua voz. Acho que precisava de mais uma dose dela. Com o nervosismo acabei esquecendo de falar que sonhei com você. Foi chato pois eu sonhei que estava falando com você pela internet quando o que eu queria era ter sonhado com você ao vivo, do meu lado. Depois de desligar fiquei meio trêmulo, meus joelhos não respondiam como deveriam e isso fazia minha perna bambear. Respirei fundo. Acredito que na próxima vez estarei mais relaxado e a conversa irá fluir melhor. Não sei o que sinto por você. É recente demais. É algo como cócegas no umbigo. Um formigamento no peito. É algo quente e bom. Você chegou bem na hora que eu mais precisava de um amigo e isso fez de você importante pra mim. Sei que te atormento com meus problemas imbecis, nesses rolos que me enfio nem sei como, e agradeço por me aturar e sempre ter um bom conselho pra dividir. Quero que você saiba que és lindo e não tô dizendo isso só pra te agradar, não sou desses, nunca duvide da sua beleza. Qualquer pessoa será muito sortuda se um dia tiver o privilégio de ser seu namorado ou ada. Agora você deve estar pensando: "Eu nem conheço esse cara, ele deve ser louco". Explicar foge de minha mão. Eu precisava dizer umas coisas e acho que nunca diria se não fosse desse jeito. Entendo que o tempo tende a separar as pessoas, mas do fundo do meu coração espero que possamos ter muito tempo de risadas juntos. E que motivos para rir não faltem.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Não estou falando das preliminares

Estou escrevendo em retalhos. Ele só queria saber que ainda penso nele, agora eu sei, por isso ele me ligou. Quando sabe que ainda penso nele, ele some. Gostaria de ter um muro que me cercasse. Se tenho, ele é de vidro. Não me protege, me expõe e quebra fácil. Gostaria de amar essa nova pessoa que entrou em minha vida. Não posso dar amor e não receber nada em troca, chega disso. Preciso de um novo muso. Alguém que me faça perder a vontade de olhar para qualquer moço bonito que passa ou que me faça parar de procurar abrigo onde não devo. Encontrei alguém legal e que me faz bem, somos apenas amigos e isso tá tão legal que tenho medo que mude. Tento não deitar no chão esperando que pisem em mim. Tento levantar sozinho. O cara de Porto acha que ele não significa nada pra mim. Ele ficou bravo comigo. Meu ex sumiu. Não sei se é pior quando ele fica remexendo na ferida ou quando desaparece. Preciso inventar um novo eu, porque esse aqui tá um saco. Meus textos estão novamente repetitivos e sem sabor. Isso me consome. Se ele me pedisse, eu estaria ao lado dele agora. E não estou falando do meu ex, estou falando desse novo amigo que por medo não o deixo entrar. Por medo de assustá-lo com a revelação do que sinto. Meu muso não precisa de malhação ou depilação, só precisa ser meu. Devo ter atingido o extremo da carência, pois ando vendo coisas onde não tem. Não sou assim, me fizeram ser e estou sendo. Havia algo errado ali, quando o cara de Porto Seguro me chupava, eu tive que interrompê-lo várias vezes porque doía. Uma dor confusa que num dava pra saber se era de dentro ou de fora. Curar a falta de um amor usando o sexo é meio clichê e não faz sentido. É que estou vazio. É que olhar isso aqui é pisar no nada. É que quando você lê uma linha do que escrevo você está sentindo o sabor de alguém que perdeu tudo e tenta se achar em meio ao que sobrou, e nada sobrou. É como estar num deserto. Um deserto enorme que não tem nem areia e nem calor. É frio. Posso não estar pronto para falar tão abertamente sobre mim. Também as pessoas podem não estar prontas para ouvir alguém que fale tanto de si mesmo e tão abertamente. O ex disse que eu não deveria ter transado com o primeiro cara que apareceu. Ele sugeriu um porre ou um cigarrinho de maconha. Involuntariamente escolho a pior saída. Chega desses olhos cansados de tentar chorar em vão, pois secas, as lágrimas ardem sem cair. Apostei num romance falido. Claro que eu não seria o escolhido. Os traumas que tenho me fizeram de um jeito que não tenho concerto. É preferível alguém bem mais jovem e menos problemático. Algo me diz que eu só perdi, pois eu fico menos tempo on line, isso não faz diferença agora. Só sei que eu nunca perdoarei meu ex por ter me largado daquele jeito, tão vulnerável e sozinho. Eu me trai. Eu voltei a falar no que não queria. É óbvio que é mais fácil ser feliz com alguém ao seu lado. Um dia eu ganho. Foi bom eu ter viajado pra Porto Seguro. Foi bom eu me sentir desejado, mesmo sabendo que no fundo eu nunca vou deixar de ser esse garoto estranho e feio. Vou olhando pra dentro tentando ver o reflexo do mundo. É esse reflexo que sou quando escrevo. Sobre perca de foco e não saber distinguir o que sinto. Tô precisando de tantas coisas que nem sei por onde começar. Alguns livros, uma viagem e um amor, seria legal começar por aí. Antes preciso de umas vitaminas que me fortaleçam, pois ando sensível demais, onde encosto eu fico. Tem dias que bate aquela deprê e não há pra onde fugir. Preciso desaprender a me apaixonar, pois ando caindo de amores por pessoas que nem sei. Acho que voltei a ter amores platônicos. E vou perdendo a fé nas coisas que já me deixaram.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Necrofilia

Estado vegetativo. Procuro qualquer alicerce onde eu possa me segurar. Alguma mensagem no celular vinda de um amigo estranho que sempre me faz rir. E rir sempre ameniza a dor, mesmo que momentaneamente. Procuro uma voz. Cerca de dois minutos de conversa com ele são o suficiente para me atormentar por 24 horas.  Não sei o que ele quer de mim. Não dormir é uma coisa diferente de ter insônia. Acho que não foi insônia. Sofro do mal contrário, preciso mais de sono do que o normal. É que o sono é a única forma de entrar em contato com os sonhos e a única forma que escapo realmente da realidade.  Na sala, vendo Friends e pensando em pessoas que nem era para eu estar pensando, eu ri mais do que deveria e depois peguei no sono. Gosto demais de pessoas que eu não deveria gostar. Gosto do errado. Algumas pessoas tem o dom de me fazer sorrir e outras o contrário. Ontem foi um desses dias que entrei em contato com os opostos. Falei com os opostos ao mesmo tempo. Chorei e ri. Aprendi que sou melhor do que pensava que eu fosse. Ou pior. Meu ex me ligou, foi algo estranho e eu não deveria estar falando dele aqui e não falarei. Só que algo estranho ocorreu, ele me chamou de: SA-FA-DO. Prolongando tanto o S e o F que algo em mim acendeu. Acho que ele iria continuar me xingando, porém ficou com medo de começar uma briga. Ele não queria brigar, talvez apenas estivesse preocupado com o rumo que ando tomando. O jeito como ele disse aquilo, daquele jeito meio pausado, com sua voz arrastada, ficou preso em minha cabeça e não pude resolver de outro modo a não ser me masturbando. Aquilo deveria te me irritado, me ofendido, ou sei lá, mas teve esse efeito inesperado. Fingi que não me importei e seguimos a conversa como se nada tivesse acontecido. Vou me apegando a estranhos, porque eles parecem mais comigo do que os familiares. Eu disse sobre a antecipação do sexo no outro texto, acho que usei a palavra errada, acho que da no mesmo, mas o que quis dizer é que gosto do que precede o sexo, acho que todo mundo entendeu, mesmo assim queria dizer isso. Também não falei o suficiente de como conheci o cara. Foi na internet e depois telefone e depois várias mensagens de texto e duas semanas depois eu estava no seu quarto. Agora sinto que me julgam. Estão pensando que eu sou um puto. Que não tenho vergonha. Ou pior. É que os pensamentos maléficos sempre me atingem como se as pessoas pensassem gritando. Coisas que eu nem sei e fico viajando. Coisas que eu nem sei. Tá difícil de escrever agora, tá difícil dizer qualquer coisa, pois estão me aprisionando, ou, eu mesmo me aprisionei aqui. É que já não posso dizer tudo que penso sem magoar alguém e não quero que saibam tanto do que sinto, pois estão usando isso contra mim. Nem preciso dizer que estou confuso. Que meu coração e meu corpo estão mais separados do que nunca e que minha cabeça tá flutuando entre os dois e não sabe pra onde ir. Meu medo é cair no mesmo truque pela segunda vez, ser enganado e jogado fora. Meu medo é fazer sexo demais, com pessoas que não entendem que por enquanto eu não tenho coração. Fazer sexo comigo agora é como foder um cadáver. Quando uma pessoa fala que vai sonhar comigo, ou, que quer sonhar comigo, eu penso logo que será um pesadelo. Não apenas um pesadelo comum, mas um pesadelo erótico, meio necrofilia, sabe? Meio filme B. Não sei. E nesses pesadelos eu sempre sou o cadáver. No momento estou tentando não pensar. Porque pensar está significando sofrer. Tento preparar com calma o macarrão instantâneo, com a quantidade adequada de água. Os irracionais são felizes. É injusto as pessoas poderem ler isso aqui, pois é como se estivessem lendo minha mente. Eu não sou uma pessoa interessante, minha vida é chata e sem novidades. Outro dia me perguntaram se tudo que escrevo é mesmo verdade. Aquilo me irritou. Claro que é verdade, se tá duvidando, não lê. Se não acredita, não perca seu tempo. Devo estar dando uma de canalha, mas não tenho opção, prefiro a transparência. O cara de Porto perguntou se eu o amo, eu disse que não. O que eu poderia dizer? Acho melhor encerrar algo com a verdade, do que seguir em frente mentindo. Não sei se poderia gostar de alguém agora. Achei que poderia fazer sexo sem machucar ninguém. Achei que poderia me divertir sem me prender. Sinto falta de amigos que não tenho. Sinto falta de pessoas que não conheço. É mais fácil amar um estranho, de longe. Minhas saídas estão se esgotando e já não tenho pra onde fugir. Espero não afastar quem gosta de mim. Achei que poderia seguir minha vida, mas ela estagnou. Não tenho muitas opções.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A antecipação

O que fazer depois do fim de um relacionamento? Viajar. Porto Seguro. Conhecer um novo cara. Ou vários caras. Fazer sexo sem compromisso e com segurança. Esquecer do coração e cuidar da mente. O jeito é tirar essa tensão que está alojada principalmente entre minhas sobrancelhas e em cima dos ombros. Viver. Um fim de semana ensolarado-chuvoso. Mochila nas costas, mãos enterradas nos bolsos. Cabelo milimetricamente bagunçado. A maior bagagem estava dentro. A maior bagagem era a própria viagem. Estou complicando demais as coisas. Queria simplificar. Queria não ser tão literal. Queria me esconder aqui. Eu sabia o que ia acontecer. Nos encontramos e fomos ao mercado. Compramos umas coisas. Ele perguntou o que eu preferia, eu disse que não importava. Depois isso foi virando uma constante naquela noite de sábado, ele me perguntava coisas que supostamente eu deveria decidir e eu sempre dava a mesma resposta: tanto faz. E era bem isso, eu num estava nem aí. O foda é que o meu desinteresse em resolver os dilemazinhos dele, o fez pensar que eu não tenho personalidade. Ou algo assim. Que seja. A minha primeira impressão foi que ele era um cara muito bonito. O rosto. Os cabelos já começando a querer cair. Barba por fazer. Se ele não me tirasse do transe em que me meti, nunca teríamos nos beijado. Ele falava ao telefone quando veio a mim. Eu já estava com o corpo enfiado no sofá como se quisesse fugir pra dentro dele, e sumir. O agora me escapa e fico vivendo outra coisa, e nem sei do futuro, pois vou perdendo o presente. Eu estava ali, havia um cara que me queria e eu não sabia o que fazer. Não sei bem quando foi o momento exato que perdi o jeito, era difícil mostrar que eu era um adulto sexualmente disponível, pois o sexo pra mim já havia se tornado algo mais imaginário do que real. Pareço assexuado ao olhar do outro. Pareço inapto ao sexo. Sexo é o encontro que dura cinco minutos entre meu pau e a minha mão. Ele me beijou. Esse beijo foi despertando o que estava adormecido em mim. Depois do sexo veio um silêncio, meus olhos fitavam o escuro do quarto procurando algo perdido, ou apenas estáticos, sem acreditar no que acabava de acontecer. Ele ficou preocupado e perguntou se havia algo errado, e, claro que havia, pois aquele silêncio não cabia ali. Meu olhar perdido e meu silêncio, estavam me acusando do crime que eu acabava de cometer. Talvez dormir fosse a solução, talvez qualquer tipo de comentário ou um beijo. Antes eu havia dito que gostaria muito de agradá-lo, mas não sabia como. Era verdade, não sei bem como demonstrar o que sinto e não sei fingir, então me julgam frio ou distante. Talvez eu não estivesse completamente ali. Creio que gosto mais da antecipação do sexo, do que do ato em si. Gosto do tesão da espera. O sexo sempre acaba com tudo. O melhor sexo está em nossas cabeças. Meu maior medo era foder meu coração, mas antes disso, tinha o medo de minha aparência não satisfazer a ilusão que ele previamente havia criado de mim. Minha velha companheira: a insegurança. Vimos um episódio de Two And A Half Man no laptop e comemos hot-dog. Fomos para o quarto mais uma vez. Meu olhar contemplativo vinha e o fitava. Cá dentro uma agonia querendo sair. Ele me dizia que meu corpo era lindo, que minha boca era muito bonita e que meus cílios eram surpreendentemente grandes, assim como meu pau e minha bunda. Enquanto me abraçava nu ele disse que era só meu, eu fiquei mudo. Na manhã seguinte após uma noite mal dormida, bebi um copo de achocolatado ruim e comi alguns biscoitos. O irmão dele havia chegado em casa, era mais gordo e mais peludo do que eu havia imaginado, eu estava novamente desconfortável. Sei que estou estragando tudo ao ser tão literal, estou mostrando demais aqui. Vou escrevendo o que vem. Deixo o texto sair sozinho. Estou tentando evitar amar nesse primeiro momento. Deve ser culpa do horóscopo, só pode ser. Oras! Preciso culpar alguém e nem acredito em horóscopo. É bom saber que estou me movendo adiante, enquanto tem pessoas que ficam patinando sobre os mesmo erros e não aprendem. Semana que vem eu não sei. Por enquanto tudo acaba aqui. Não sei o que sinto por ele. Não sei o que ele é meu. Não sei se ele será algo meu. Por enquanto somos ficantes. É isso? Acho que sim. Ouvindo Strokes eu reparei numa frase que resume bem os relacionamentos que vejo por ai, e sei que a maioria das pessoas pensa assim, então eu deveria seguir essa linha de raciocínio, talvez eu me machuque menos: Oh no, my feelings are more important than yours.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Rehab

Não importa a hora que acordei. Não interessa que foi antes das seis da manhã. Não faz a menor diferença se eu dormi muito tarde, vendo seriados cômicos na TV e escrevendo qualquer besteira durante a madrugada. Tem gente cavando minha alma pra fora. Tem gente entrando cada vez mais fundo nisso aqui que chamam de eu. Tem gente que desistiu de mim. Tento não mostrar as sequelas que um amor fracassado deixou. Coloquei um band-aid em cima das feridas, pois já deixei elas expostas por tempo demais. Vou tentando organizar as idéias para fazer sentido. Vou tentando desfazer um erro, um conflito que belisca aqui. Só meu trabalho, o de sempre, sorrisos falsos, trocos rápidos, sacola cheia de pães e sei lá, uns trocados no final do mês. Eu finjo que trabalho e a patroa finge que me paga. Eu queria tanto um amor que corresse atrás de mim, que se jogasse aos meus pés, mesmo que eu o menosprezasse e o amasse em segredo. É, acho que estou meio Ursinhos Carinhosos hoje. Preciso de um tempo longe do amor. Preciso de um tempo sem paixão, sei disso, mas no sentir não se manda e involuntariamente vou me apaixonando por várias coisas, lugares e amigos. O interessante seria se eu falasse sobre o que eu aprendi com tudo que passei nesses últimos meses. Sinto como se estivesse numa clínica de reabilitação, me curando de um vício, e estou levando muito a sério esse processo. Aprendi que não posso entregar meu coração de bandeja. Aprendi que preciso de alguém que saiba que orgasmos vem e vão e só o amor fica. Aprendi que nem sempre posso falar tudo que determinada pessoa precisa ouvir, ás vezes é preciso ilustrar. Algumas pessoas gostam de pensar que estão resolvendo meus problemas. É melhor deixá-las se iludirem para que se sintam úteis. Coleciono conselhos e na maioria das vezes deixo-os pegando poeira e mofo, só uso os meus próprios conselhos, talvez por isso me fodo tão frequentemente. Posso dizer com orgulho que meus erros são só meus, não arrasto ninguém comigo, assumo a culpa e pago o que tiver que pagar. Dar conselhos é mostrar outro ponto de vista, ampliar as opções, mas a decisão é sempre sua. Descobri que leram meus textos e riram de mim. Disseram mesmo que eu estava me expondo demais, mas eu desaprendi a escrever inventando. Foi isso que escolhi ao me mostrar tanto. Leram em voz alta e transformaram meu sofrer em piada. Essa deve ser a melhor saída, transformar tudo em risos, ou pelo menos, essa deve ser a saída mais fácil. Parece que as pessoas estão me notando mais. Amigos estão surgindo e por uma fração de segundos tremi com medo de estragar as coisas boas que estão por vir. Mas o medo nunca me impede de nada, eu afogo ele e saio nadando mais rápido. Meu número de telefone está se espalhando em celulares por aí. Só falta eu perder a fobia que tenho de telefones. Sempre antes do "alô", fica tudo escuro, há um silêncio que parece um buraco que tenho que pular para conseguir começar a conversa. Depois disso corro e não paro. Queria falar sobre meus amigos heteros, mas tenho tão poucos. Um dia desses fiz um que se tornou um amor platônico. Outro dia fiz mais um, que parece não se importar com meus segredos e sempre tem coisas boas para me dizer, nos falamos outro dia pelo telefone e ter esse tipo de apoio foi importante pra mim, não sei se ele sabe disso. Deixo que as pessoas riam de mim, porque elas riem mais de medo do que de outra coisa. Elas estão tão assustadas com o novo ou, o desconhecido, que patéticas, só sabem rir. E deixo que os que querem ser criativos me imitem, aham, me imitar é um ótimo meio de mostrar originalidade, não acha? Se houvesse autenticidade pra vender em alguma loja, com certeza essa viveria lotada. Tenho planos pro fim de semana. É, talvez eu tenha encontrado alguém que goste de mim, certeza não tenho. Tenho medo de certezas. Não tenho medo de me apaixonar novamente, agora já sei como é, já sei dos perigos e se me machucar tudo bem, os momentos de felicidade, mesmo que poucos, fazem tudo valer a pena.Vou entendendo que pensar tanto no passado nunca vai me levar pro futuro. Tem gente que não sabe onde quer chegar, eu acho que sei, mas não sei como ir, não sei o caminho, vou descobrindo. De qualquer forma o melhor da viagem é o percurso ou as falhas nele. Cansei de tentar atravessar essa parede sem portas, agora estou demolindo tudo para abrir passagem. Depois de passar por isso talvez não sobre o que fui.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Fim

Agora deixo que esses novos tentáculos me abracem e aprisionem. Tô examinando esses novos tentáculos. Estou saindo dessa lata de lixo onde você me jogou. Estou tentando não me sentir descartável e desumano. Eu nunca achei que fosse do tipo que precisava ser cuidado. Eu nunca achei que fosse do tipo que fica correndo atrás após o rompimento. Eu não sabia que era tão frágil. Eu nunca achei que fosse do tipo que não consegue esquecer. Eu nunca achei que fosse do tipo que pensaria em suicídio tão frequentemente, mesmo sabendo que nunca faria isso, e que essa seria a solução mais estúpida para um problema que já nem existe, só existe em mim. Eu  não sou do tipo que precisa usar outras pessoas pra esquecer alguém. Não estragarei um coração pra curar o meu. Se eu for ficar com alguém, é porque é real, é porque algo nele me despertou qualquer coisa. Eu nunca pensei que fosse do tipo que precisaria tanto de sexo, mas você me deixou assim. No momento estou explodindo. É uma febre que vai saindo e virando texto. Enquanto algo novo surge, eu tento tirar essa faca do peito. Essa faca que parece já algo meu, algo enraizado, algo que nasceu comigo. Essa faca que tu meteu no meu peito já parece parte de mim. Falam que ser diferente é bom, dizem que minha singularidade é o que me faz ser tão especial, mas eu não entendo, pois ser diferente só faz eu ficar distante das pessoas. As pessoas se afastam de mim e procuram alguém mais igual, mais comum. Meu estomago anda fraco, se não falo com você, é pra não te atrapalhar, mas saiba que sua amizade me faz muita falta. Eu preciso muito de um amigo. O problema é que tá faltando no mundo pessoas fortes, pessoas que saibam o que querem e não tenham medo. Eu vou fundo mesmo, me quebro, mas nunca tenho medo de doer. Minhas cicatrizes são prova de minha coragem. Minhas cicatrizes é a prova de que vivi. Viver pra mim é esse risco. Sofrer é  a resposta que a vida tem me dado. A resposta que eu não queria. Sofrer é andar por aí com essa faca que todos podem ver e ninguém pode fazer nada. Estou procurando uma mão no escuro. Meu medo é encontrar uma granada. O coração é como a porcaria de uma taça de cristal, se tu fode e quebra, não tem como remendar, nunca mais será a mesma coisa. Eu sabia que tu ia voltar pra ele, mesmo você dizendo que não poderia ficar com alguém tão mais novo, que isso era pedofilia. Eu sabia, mas a constatação veio pra finalizar com um fatality, tudo foi sendo esfregado na minha cara. Pra isso eu também não estava pronto e mais uma vez algo em mim pareceu falecer, uma amargura nasceu e escondeu o doce da vida. Você não sabe muito de mim, você espiou a superfície e se assustou. Eu sei menos ainda de você.  Eu sou muito melhor que isso. É que não mostro, é que sempre escondo o meu melhor pra dar pra quem realmente merece. A vida é meio pugilista comigo, sabe? Ela adora me socar a cara, quase quebra meu maxilar e não deixa o meu estomago em paz. Cara, não é isso que vai me derrubar, se tu quer brincar, fica a vontade, desce pro parquinho, desce pro playground e diz que ama todos esses garotinhos que imitam o Justin Bieber, veneram a Gaga e não tem um pingo de personalidade, porque eles nem precisam, talvez por serem jovens ou bonitos, ou porque eles já tem tudo pronto, é só copiar. Já me pediram em casamento de novo, claro que foi uma brincadeira, mas sei lá, é bom saber que tem alguém que se interessa por mim. Já conheci algumas pessoas. Não estou pronto para me apaixonar de novo, primeiro preciso tirar você daqui e agora já passou da hora, e agora precisa ser de qualquer jeito. Acho que vou ficar bem, vou tentar ficar. Talvez eu evite falar com você, não por querer, porque o que eu mais queria era passar horas conversando com você, tu faz falta. Mas talvez evite porque não quero fazer o mesmo que fizeram conosco, não quero me meter entre duas pessoas que se amam. Você sabe o que te faz bem. Você fez tua escolha. E pelo menos por um tempo, até minhas pernas pararem de bambear a cada passo, até eu poder ter força o suficiente para não cair de novo, fico mudo. Te considero um amigo e não vou te esquecer, espero que eu tenha deixado alguma lembrança boa guardada em algum lugar do seu coração. Me despeço, tentarei te abandonar de vez, até nos textos. Acho que a colisão que nos uniu no primeiro momento não foi forte o suficiente como eu previ. Talvez eu tenha me precipitado em ter tatuado na nuca algo que simbolizava a minha espera por você. Não me arrependo de nada do que fiz, você me ensinou o que é sofrer de amor e agora eu já sei. Tô buscando o fim e não o encontro. Queria desejar felicidades a você e ao seu amor, mas não consigo, por dentro eu só quero que você e ele se fodam. Sou bom, sim, sou bom até demais, porque sou verdadeiro. Sempre admirei sua liberdade, mas achei que você soubesse o que é liberdade. Tu é livre, pelo menos agora está livre de mim. Você não me deve nada. Você não precisa fazer nada pra mim. Você não tem obrigações comigo, porém seria gentil e seria um final bonito se pelo menos continuássemos amigos. Isso foi tão importante pra mim que odiaria nunca mais falar contigo. Esse fim tá doendo. Esse finalzinho é meio que eu agonizando e não querendo deixar você ir, mas você nunca foi meu e já partiu faz tempo. Enquanto você toma distância, eu me prendo aqui. Eu poderia acabar te mandando um beijo, um beijo bem quente, um beijo doce, um beijo na nuca ou na bochecha, ou apenas jogar um beijo no ar. Um beijo na boca, essa boca que me fez apaixonar mesmo sem nunca ter provado o gosto. Essa boca que me disse tantas coisas lindas e depois pegou tudo de volta. Queria beijar seus cílios, me despedir também dos seus olhos. Olhos que nunca cheguei a sentir o calor do brilho. Olhos que nunca encarei. Queria suas mãos acenando pra mim, enquanto eu me distancio pela estrada vazia e escura, depois de um longo e apertado abraço. Queria ter visto seu riso, que mesmo de longe era lindo e quase vital pra mim. Queria ter feito sexo. O sexo que tanto discutimos. O sexo que tanto imaginamos com a mão. Queria ter brigado e jogado coisas em sua direção e ter gritado e ter te dado socos na sua cara. Queria ter dormido junto, apertadinho, sentindo seu calor em mim. Queria ter conseguido mostrar que eu realmente te amei, que eu realmente acreditei e que eu ia fazer tudo aquilo acontecer. Queria ter dito ‘não’ mais vezes. Queria não ter escrito tanto, isso nos afastou, da mesma forma que nos uniu no começo. Queria ter me escondido mais. Queria sentir teu cheiro antes de partir. Desculpa por ter entrado de qualquer jeito na sua vida e atrapalhado tudo. Queria me retirar com classe, mas só sei esculhambar mesmo, é melhor nem me preocupar com isso. Eu poderia acabar isso aqui apenas colocando um ponto final e depois só um silêncio. Verdade, um silêncio aqui iria bem. Tá difícil te tirar daqui e acho que mesmo depois do fim alguma coisa vai sobrar, é que veio muito, e agora tá sobrando, entende? Vou fazer isso para tentar não mais querer morrer, não mais sofrer. Estou fazendo isso pelo bem de todos, e principalmente pelo seu. Quero que você não perca mais seu tempo lendo essas bobagens. Você não está preso a mim. Estou te libertando. Tá difícil deixar você ir, porque eu pensei que nunca mais ficaria sozinho. E aqui estou eu, cavando minha própria cova. Escrever é minha doença, tá doendo pra caramba pra sair. Talvez eu seja muito profundo e não devesse me misturar com pessoas rasas. Escrever é agonizar. Esse final não existe, porque tudo não passou de ilusão. Eu é que fui bobo e vi tudo real. Você também me libertou, agora já não tenho receio nenhum de abrir a boca e falar o que penso. Tem gente que prefere se esconder, porque é mais seguro. Eu gosto do friozinho que o incerto causa. Eu gosto do inseguro. Você me mostrou que meu problema de auto-estima é algo crônico e nem você me dizendo coisas lindas diariamente conseguiu curar-me. Não tenho cura, porque sou o que sou e não posso me curar de mim. Não sei se vai ser possível superar, mas não me culpe por tentar, você seguiu sua vida e estou seguindo a minha. No futuro nos encontraremos e riremos juntos de tudo isso. Agora eu poderia falar qualquer coisa de flores, né? Falar de flores sempre funciona. Queria que você entendesse que você me ensinou a amar e agora terá que me ensinar a perder. Não, olha eu de novo te querendo aqui, querendo qualquer coisa de você, querendo qualquer contato. Outro dia quase te xinguei, sabe? Só pra começar uma briga e não ter que ficar sozinho. É melhor brigar do que sofrer na solidão. Não sei bem, eu sempre estou meio confuso. Estou tentando ser meu melhor amigo.  Não tô conseguindo acabar. Vou deixar sem fim. Vou acabar sem fim. É que na verdade, se estivesse bom, eu não iria querer que acabasse, mas pelo visto tá tudo errado e fazendo mal. Um dia alguém coloca um freio em mim. Um dia eu aprendo a dosar. Um dia eu serei auto-suficiente e não precisarei de ninguém pra ser feliz. Finalizar esse texto é a tentativa mais gritante de te amputar de meu corpo. Eu não queria acabar assim, mas esse fim se mostrou necessário. Não aguento mais sentir tudo isso. Ao finalizar esse texto eu tô tentando finalizar o que sinto por você, mesmo sabendo que isso é impossível. Não quero desistir do amor. O amor deve ser algo bom, eu é que fui ingênuo e não soube carregá-lo com cuidado. O amor me ensinou muito. O amor disse pra mim que a vida é linda, mas eu sou muito ressabiado e fiquei duvidando. Um dia eu aprendo a engolir a dor e vomitar sorrisos. Até lá, eu escrevo.