quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Texto sem nome

Esse texto é um nó. Vou tentar desatá-lo escrevendo-o da melhor forma que puder, mas acho que só estou afim de criar confusão. Há dias tenho bebido café demais e esqueci o que significa álcool. Minha imagem não está tão clara. Estou desaparecendo. Faço coisas que deixam meu desespero evidente. Não estou conseguindo acompanhar o passo do tempo. Não estava sonhando, não, isso seria impossível, pois meus olhos estavam bem abertos e vidrados na coisa que passava na televisão e não lembro o que era. Talvez fosse o efeito dos comprimidos que acabara de tomar devido a uma gripe que me pegou de surpresa justo no fim de semana. Não era um sonho, havia alguém comigo. Eu estava deitado em seu peito, não muito musculoso, pele morena, sentia seus pelos macios em minha face e em meu ouvido seu coração não poderia falar mais alto. Ele dizia coisas sobre você. Eu ando estranho ultimamente com essa coisa de sonhos, é que você tá sempre presente neles, e só em sonho mesmo alguém como você ficaria comigo. Não consegui ler. Tentei me concentrar em linhas, não pude. Precisei escrever. Escrever é o modo que encontrei de deixar o que sinto sair para passear. Vi uma garota na rua rindo exageradamente e acho que notei algo atrás do riso. Aquela alegria toda escondia mais que um traço forte de desespero. Havia um desespero nela que saia na forma de riso e isso era assustador. As vezes falo a verdade brincando, algo que quero muito, para ver se a pessoa entende e vem brincar comigo, de verdade. Espero que você ainda goste de mim quando o mistério acabar. Tava ouvindo Coldplay e me lembrei de como eu costumava gostar dessa banda. Foi um momento de nostalgia. Ainda gosto das coisas antigas que eles fizeram. Andei me deixando entristecer. Eu prefiro as músicas tristes. Me transformei e meu corpo continua o mesmo. Preciso de algumas tatuagens ou piercings. Algo que reflita por fora as mudanças de dentro. Nesses últimos meses amadureci muito. Sou esse monstro preso em corpo de humano. Minha insegurança insiste. Há a possibilidade de que eu me deprecie dessa forma para que o interlocutor se comova e me encha de elogios, e, assim, mesmo que por um breve momento, eu me sinta melhor. Há a possibilidade de eu realmente acreditar que sou inferior. Não sei bem receber elogios pois na maioria das vezes não acredito neles. Não me arrependo do que fiz pelo simples fato de que transformo erros em lições. Pode ser que eu tenha mesmo me precipitado em fazer sexo com o primeiro estranho que apareceu. Tá, não foi o primeiro estranho a se disponibilizar a me oferecer sexo, mas sei lá, foi tudo tão rápido. Disseram-me que eu estou pior que uma prostituta, pois nem cobro. Não levei a sério esse comentário, a pessoa que o fez deveria estar com muito ciúmes, então achei irrelevante me irritar a toa. Em minha defesa poderia ter alegado que fazia muitos meses que eu não fazia sexo e que minha vida sexual é praticamente nula, isso se não fosse alguns minutos diários que tenho com minha mão. Só porque eu fiz sexo uma vez, dentro de sete ou oito meses, isso não faz de mim um puto. Minha vida amorosa também é inexistente, por isso fico sempre tentando inventar uma. Sobre meu ex o que sobrou foi dor. Sempre dói, mesmo quando nossas conversas são leves e cheias de gargalhadas, pelas coisas que perdi e nunca mais vou recuperar e também pelas coisas que quase abri mão por causa dele. Aqui não tenho medo de mostrar o pior de mim, por isso corro risco o tempo todo e por isso seguro a onda quando alguém não entende e tenta me agredir com palavras. A única diferença entre eu e o agressor, é que eu assumo o que eu faço, enquanto ele se esconde. O sexo pode te devolver a sanidade. Sexo casual pode ser saudável em situações extremas. Vi um filme Cult, daqueles que não acontece quase nada, mas você insiste por conta da bela fotografia ou porque é de um diretor europeu conceituado e de nome difícil. Costumava adorar esse tipo de filme, eu me identificava com esses personagens estagnados ou simplesmente acreditava que a minha vida daria um ótimo roteiro. Agora já não tenho tanto tempo a perder e já não me vejo ali. Ando errado. Será possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Sempre tive essa dúvida. Talvez, se o coração for grande o suficiente ou o amor. Você está morando em meu subconsciente. Não pense que lhe persigo. Não quero lhe assustar. É que você está de alguma forma em mim, sem querer, de um jeito que eu não percebo, só quando me distraio, ou tiro um cochilo, aí você aparece. Você me ligou e esse sonho foi o mais legal que tive nesses últimos dias. Talvez eu esteja só estragando o que poderia ser uma linda amizade. Não sei o que sinto e cansei de tentar dar nome a essas coisas. Ando vagando em meu subconsciente e pretendo morar lá, pois lá tenho sua companhia, e ter você por perto é tudo que preciso. Que se foda a realidade!

4 comentários:

  1. É um texto sem nome, e nem precisa de nome.

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  2. bah isso de sonhar e imaginar é a melhor coisa. Assim a gente não sofre. Mas correr riscos é necessário também, a vida tá aqui nas nossas mãos, e esse poder é perigoso demais.
    Enfim, belo texto.

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  3. As always..true..deep..emotional...YOU!

    Loved it!

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  4. Sexo é um brinquedo de machucar gente. Use-o bem. Não se machuque. Não se exponha à coisas que te façam sofrer. Você não precisa da amizade dele. Tem outros amigos legais. Lime esse cara da sua vida... common.

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