Não importa a hora que acordei. Não interessa que foi antes das seis da manhã. Não faz a menor diferença se eu dormi muito tarde, vendo seriados cômicos na TV e escrevendo qualquer besteira durante a madrugada. Tem gente cavando minha alma pra fora. Tem gente entrando cada vez mais fundo nisso aqui que chamam de eu. Tem gente que desistiu de mim. Tento não mostrar as sequelas que um amor fracassado deixou. Coloquei um band-aid em cima das feridas, pois já deixei elas expostas por tempo demais. Vou tentando organizar as idéias para fazer sentido. Vou tentando desfazer um erro, um conflito que belisca aqui. Só meu trabalho, o de sempre, sorrisos falsos, trocos rápidos, sacola cheia de pães e sei lá, uns trocados no final do mês. Eu finjo que trabalho e a patroa finge que me paga. Eu queria tanto um amor que corresse atrás de mim, que se jogasse aos meus pés, mesmo que eu o menosprezasse e o amasse em segredo. É, acho que estou meio Ursinhos Carinhosos hoje. Preciso de um tempo longe do amor. Preciso de um tempo sem paixão, sei disso, mas no sentir não se manda e involuntariamente vou me apaixonando por várias coisas, lugares e amigos. O interessante seria se eu falasse sobre o que eu aprendi com tudo que passei nesses últimos meses. Sinto como se estivesse numa clínica de reabilitação, me curando de um vício, e estou levando muito a sério esse processo. Aprendi que não posso entregar meu coração de bandeja. Aprendi que preciso de alguém que saiba que orgasmos vem e vão e só o amor fica. Aprendi que nem sempre posso falar tudo que determinada pessoa precisa ouvir, ás vezes é preciso ilustrar. Algumas pessoas gostam de pensar que estão resolvendo meus problemas. É melhor deixá-las se iludirem para que se sintam úteis. Coleciono conselhos e na maioria das vezes deixo-os pegando poeira e mofo, só uso os meus próprios conselhos, talvez por isso me fodo tão frequentemente. Posso dizer com orgulho que meus erros são só meus, não arrasto ninguém comigo, assumo a culpa e pago o que tiver que pagar. Dar conselhos é mostrar outro ponto de vista, ampliar as opções, mas a decisão é sempre sua. Descobri que leram meus textos e riram de mim. Disseram mesmo que eu estava me expondo demais, mas eu desaprendi a escrever inventando. Foi isso que escolhi ao me mostrar tanto. Leram em voz alta e transformaram meu sofrer em piada. Essa deve ser a melhor saída, transformar tudo em risos, ou pelo menos, essa deve ser a saída mais fácil. Parece que as pessoas estão me notando mais. Amigos estão surgindo e por uma fração de segundos tremi com medo de estragar as coisas boas que estão por vir. Mas o medo nunca me impede de nada, eu afogo ele e saio nadando mais rápido. Meu número de telefone está se espalhando em celulares por aí. Só falta eu perder a fobia que tenho de telefones. Sempre antes do "alô", fica tudo escuro, há um silêncio que parece um buraco que tenho que pular para conseguir começar a conversa. Depois disso corro e não paro. Queria falar sobre meus amigos heteros, mas tenho tão poucos. Um dia desses fiz um que se tornou um amor platônico. Outro dia fiz mais um, que parece não se importar com meus segredos e sempre tem coisas boas para me dizer, nos falamos outro dia pelo telefone e ter esse tipo de apoio foi importante pra mim, não sei se ele sabe disso. Deixo que as pessoas riam de mim, porque elas riem mais de medo do que de outra coisa. Elas estão tão assustadas com o novo ou, o desconhecido, que patéticas, só sabem rir. E deixo que os que querem ser criativos me imitem, aham, me imitar é um ótimo meio de mostrar originalidade, não acha? Se houvesse autenticidade pra vender em alguma loja, com certeza essa viveria lotada. Tenho planos pro fim de semana. É, talvez eu tenha encontrado alguém que goste de mim, certeza não tenho. Tenho medo de certezas. Não tenho medo de me apaixonar novamente, agora já sei como é, já sei dos perigos e se me machucar tudo bem, os momentos de felicidade, mesmo que poucos, fazem tudo valer a pena.Vou entendendo que pensar tanto no passado nunca vai me levar pro futuro. Tem gente que não sabe onde quer chegar, eu acho que sei, mas não sei como ir, não sei o caminho, vou descobrindo. De qualquer forma o melhor da viagem é o percurso ou as falhas nele. Cansei de tentar atravessar essa parede sem portas, agora estou demolindo tudo para abrir passagem. Depois de passar por isso talvez não sobre o que fui.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
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" The only fear we have is fear itself"
ResponderExcluirAgain what can I say....Beautiful!
Não sei onde a vi, mas lembrei da seguinte frase "Nada melhor para um sábio, do que a risada de um tolo"- acho que é mais ou menos isso. .-.
ResponderExcluirTenho certeza que, assim como acontece com você, tem gente que lê o que eu escrevo e não dá valor, dá é uma bela risada. Mas, como você mesmo disse "Deixo que as pessoas riam de mim, porque elas riem mais de medo do que de outra coisa." porque essas pessoas não suportariam essas nossas palavras, sendo ditas cara a cara; olho no olho. Elas ficariam estáticas, pois não teriam lábia o suficiente pra lidarem com a sinceridade que possuímos. Mal sabem elas que nossos corpos adquiriram o jeito da queda, nossos corações estão prontos para serem 'reciclados' e que, o mais importante: a nossa reabilitação está quase completa.
Os 7 passos:
1. Admitimos que éramos impotentes perante o amado - que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas [x]
2. Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade. seja lá qual for. [x]
3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de um Poder Superior, na forma em que O concebíamos. [x]
4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos em nossos blogs ;] [x]
5. Admitimos perante a natureza exata de nossas falhas.[x]
6. Tendo experimentado um despertar sentimental graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos que já quebraram a cara [x]
7. seguimos em frente[ ]
Essa droga de amar quem não merece, tem cura.
Nem precisava, mas vou dizer: Lindo texto, meu querido.
Beijos. *-*