Deitado no sofá de jeans e camiseta, com os pés jogados sobre o braço da mobília, que já não é tão nova, busco por canais que me digam alguma coisa. Fico mudando sem parar, automaticamente, não dou atenção à tela: Um trecho do vídeo Losing My Religion, a risada estranha e divertida do Bob Esponja, a Kate Winslet de cabelo colorido em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Não consigo me aprofundar em nada, vejo tudo de longe, sem ver. O foco da visão é só uma desculpa para parar os olhos em algo, não reparo no que estou vendo agora, pois estou vendo além. Se eu tivesse controle remoto para minha mente, vez ou outra, eu desligaria ela. É que tenho mais lados do que podem ver. Me identifico com os ridículos. Me identifico com os que rastejam. Consigo me ver também ali, nos que não prestam. Essa ociosidade vai me levando pra longe. Vou me embriagando com vícios que nem sempre são bons: Amor, sexo, esperança, internet, um bom livro ou um disco. Minha prateleira empoeirada espera por novidades. Vivo mais em redes sociais porque assim é mais fácil achar os amigos que a vida real me esconde. Não preciso de muitos, só alguns, bons e que consigam conversar comigo sem me chamar de louco a cada cinco minutos. Ás vezes minhas estranhezas ficam evidentes demais ou qualquer atitude inesperada julgam como perca de sanidade. Por um momento pensei em fazer sexo com mais freqüência, para me distrair da dor que trago no coração. Entregar-me a carne, ao corpo, me distrair e assim não sofrer. Da pra entender essa lógica? Tentei fazer isso uma vez e não deu certo, pois todo corpo tem um coração e eles são inseparáveis. Queria fazer sexo e sair impune. Queria poder amar e sair impune. Há leis que quebramos e nem sabemos, pagamos por nossos crimes sem saber quais foram. Sou um criminoso por seguir meus instintos que sempre me levam para o lado errado. A repetição de meus dias. A rotina é inebriante mal percebo que estou escravo dela e é melhor assim, pois sem ela não saberia o que fazer e provavelmente não faria nada. Não é amor, não sei o que seja, é algo forte, é confuso, é a minha fragilidade me jogando em direção a uma tormenta, é eu querendo sair de mim. O amor platônico é como se uma pessoa pudesse entrar numa mansão e desfrutar dela, mas por receio, ela se contenta em ficar fodendo a porta da frente. É que há o risco de te tirarem a porta e te jogarem na sarjeta. É um risco a se correr. E é tão difícil abrir mão da maçaneta dourada. Então você fica ali, sem entrar nem sair, gozando de um sentimento que é só seu e não faz nada para mudar, por medo de perder o que tem ou de ganhar o inimaginável. Não sei quando me tornei essa pessoa perturbada emocionalmente, que não consegue ter uma noite de sono tranquila sem ter que parar para aliviar a tensão de uma ereção inesperada. E essas ereções inesperadas estão cada vez mais frequentes e não só à noite. Sou uma obra inacabada. Sou um trabalho ainda sendo feito. E o que quero é sempre o que é proibido ou o que está longe demais de minha mão. E o que eu quero não encontro mudando de canais, ou lendo, ou me masturbando, ou fazendo sexo, ou amando um desconhecido, ou ouvindo a melhor música do ano. O que eu quero é maior do que entendo. O que eu quero é poder chamar esse caos de minha paz. Queria esticar tanto meus pés na poltrona que sem querer esbarraria numa revelação. E essa revelação me tiraria pra sempre desse marasmo que me meti. Marasmo de estar sempre em encrencas e sempre nessa baderna de sentimentos que muitas vezes são ambíguos. Esse marasmo não é calmo. Tiro os pés descalços do braço do sofá e coloco-os no chão. Os vejo tocar o chão, mas não sinto. A vida sempre apronta comigo, sempre me faz gostar de quem não posso ter. Sempre me faz viver longe de onde estou. Me transformei nessa mosca morta e não sei mais viver na forma humana, só sei errar e pousar onde ninguém mais arrisca tocar. Só sei viver de forma moribunda e não sei resolver meus próprios problemas sem dividi-los com meia dúzia de pessoas. Minhas paixões estão tão frequentes quanto as ereções. O quê? Acho que vomitei em meus próprios pés e esse texto é o que saiu de mim. Ansiedade é algo que começa no estomago.
domingo, 21 de agosto de 2011
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Talvez pense muito em sexo porque está ansioso, passando por mudanças, uma pessoa que você gosta muito não quer mais se relacionar com você.
ResponderExcluirNever afraid to express your feeling and thoughts...with this I admire!
ResponderExcluirAchei muito legal a metáfora da mansão e da porta da frente. Uso uma parecida... a de que somos icebergs. Poucos querem mergulhar na água gelada, preferem o comodismo dos dez por cento que ficam visíveis. O Henry, do O Retrato de Dorian Gray, dizia: "To cure the soul by the means of sense and sense by the means of soul" mas o que aconteceu com o próprio Dorian Gray é uma ilustração de como as duas coisas não estão disassociadas... divaguei demais ou deu pra entender?
ResponderExcluirEntendo vc xD
ResponderExcluirSim escolher ficar na porta apenas olhando é sem dúvida melhor e mais facil do que ser jogado na sargeta, afinal você sempre podera ter a esperança que em algum momento te chamaram para entrar.
ResponderExcluir"A vida sempre apronta comigo, sempre me faz gostar de quem não posso ter..."
E se serve de consolo a vida também sempre apronta comigo, fato estou cansada do que é platônico mais prefiro viver com ele do que não ter nada para sonhar.
http://viverdefantaisa.blogspot.com/