Estado vegetativo. Procuro qualquer alicerce onde eu possa me segurar. Alguma mensagem no celular vinda de um amigo estranho que sempre me faz rir. E rir sempre ameniza a dor, mesmo que momentaneamente. Procuro uma voz. Cerca de dois minutos de conversa com ele são o suficiente para me atormentar por 24 horas. Não sei o que ele quer de mim. Não dormir é uma coisa diferente de ter insônia. Acho que não foi insônia. Sofro do mal contrário, preciso mais de sono do que o normal. É que o sono é a única forma de entrar em contato com os sonhos e a única forma que escapo realmente da realidade. Na sala, vendo Friends e pensando em pessoas que nem era para eu estar pensando, eu ri mais do que deveria e depois peguei no sono. Gosto demais de pessoas que eu não deveria gostar. Gosto do errado. Algumas pessoas tem o dom de me fazer sorrir e outras o contrário. Ontem foi um desses dias que entrei em contato com os opostos. Falei com os opostos ao mesmo tempo. Chorei e ri. Aprendi que sou melhor do que pensava que eu fosse. Ou pior. Meu ex me ligou, foi algo estranho e eu não deveria estar falando dele aqui e não falarei. Só que algo estranho ocorreu, ele me chamou de: SA-FA-DO. Prolongando tanto o S e o F que algo em mim acendeu. Acho que ele iria continuar me xingando, porém ficou com medo de começar uma briga. Ele não queria brigar, talvez apenas estivesse preocupado com o rumo que ando tomando. O jeito como ele disse aquilo, daquele jeito meio pausado, com sua voz arrastada, ficou preso em minha cabeça e não pude resolver de outro modo a não ser me masturbando. Aquilo deveria te me irritado, me ofendido, ou sei lá, mas teve esse efeito inesperado. Fingi que não me importei e seguimos a conversa como se nada tivesse acontecido. Vou me apegando a estranhos, porque eles parecem mais comigo do que os familiares. Eu disse sobre a antecipação do sexo no outro texto, acho que usei a palavra errada, acho que da no mesmo, mas o que quis dizer é que gosto do que precede o sexo, acho que todo mundo entendeu, mesmo assim queria dizer isso. Também não falei o suficiente de como conheci o cara. Foi na internet e depois telefone e depois várias mensagens de texto e duas semanas depois eu estava no seu quarto. Agora sinto que me julgam. Estão pensando que eu sou um puto. Que não tenho vergonha. Ou pior. É que os pensamentos maléficos sempre me atingem como se as pessoas pensassem gritando. Coisas que eu nem sei e fico viajando. Coisas que eu nem sei. Tá difícil de escrever agora, tá difícil dizer qualquer coisa, pois estão me aprisionando, ou, eu mesmo me aprisionei aqui. É que já não posso dizer tudo que penso sem magoar alguém e não quero que saibam tanto do que sinto, pois estão usando isso contra mim. Nem preciso dizer que estou confuso. Que meu coração e meu corpo estão mais separados do que nunca e que minha cabeça tá flutuando entre os dois e não sabe pra onde ir. Meu medo é cair no mesmo truque pela segunda vez, ser enganado e jogado fora. Meu medo é fazer sexo demais, com pessoas que não entendem que por enquanto eu não tenho coração. Fazer sexo comigo agora é como foder um cadáver. Quando uma pessoa fala que vai sonhar comigo, ou, que quer sonhar comigo, eu penso logo que será um pesadelo. Não apenas um pesadelo comum, mas um pesadelo erótico, meio necrofilia, sabe? Meio filme B. Não sei. E nesses pesadelos eu sempre sou o cadáver. No momento estou tentando não pensar. Porque pensar está significando sofrer. Tento preparar com calma o macarrão instantâneo, com a quantidade adequada de água. Os irracionais são felizes. É injusto as pessoas poderem ler isso aqui, pois é como se estivessem lendo minha mente. Eu não sou uma pessoa interessante, minha vida é chata e sem novidades. Outro dia me perguntaram se tudo que escrevo é mesmo verdade. Aquilo me irritou. Claro que é verdade, se tá duvidando, não lê. Se não acredita, não perca seu tempo. Devo estar dando uma de canalha, mas não tenho opção, prefiro a transparência. O cara de Porto perguntou se eu o amo, eu disse que não. O que eu poderia dizer? Acho melhor encerrar algo com a verdade, do que seguir em frente mentindo. Não sei se poderia gostar de alguém agora. Achei que poderia fazer sexo sem machucar ninguém. Achei que poderia me divertir sem me prender. Sinto falta de amigos que não tenho. Sinto falta de pessoas que não conheço. É mais fácil amar um estranho, de longe. Minhas saídas estão se esgotando e já não tenho pra onde fugir. Espero não afastar quem gosta de mim. Achei que poderia seguir minha vida, mas ela estagnou. Não tenho muitas opções.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
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Quando eu terminei com a minha terceira namorada (de forma bem conturbada) fui atrás de outras mulheres, estava confuso, agindo por impulso. Lembrei-me dessa fase ao ler o texto.
ResponderExcluirWe all want to love and be loved in return...sometimes we look for love and comfort in the wrong places.
ResponderExcluirBut we are human...we have a heart and sometimes it hurts.