O que fazer depois do fim de um relacionamento? Viajar. Porto Seguro. Conhecer um novo cara. Ou vários caras. Fazer sexo sem compromisso e com segurança. Esquecer do coração e cuidar da mente. O jeito é tirar essa tensão que está alojada principalmente entre minhas sobrancelhas e em cima dos ombros. Viver. Um fim de semana ensolarado-chuvoso. Mochila nas costas, mãos enterradas nos bolsos. Cabelo milimetricamente bagunçado. A maior bagagem estava dentro. A maior bagagem era a própria viagem. Estou complicando demais as coisas. Queria simplificar. Queria não ser tão literal. Queria me esconder aqui. Eu sabia o que ia acontecer. Nos encontramos e fomos ao mercado. Compramos umas coisas. Ele perguntou o que eu preferia, eu disse que não importava. Depois isso foi virando uma constante naquela noite de sábado, ele me perguntava coisas que supostamente eu deveria decidir e eu sempre dava a mesma resposta: tanto faz. E era bem isso, eu num estava nem aí. O foda é que o meu desinteresse em resolver os dilemazinhos dele, o fez pensar que eu não tenho personalidade. Ou algo assim. Que seja. A minha primeira impressão foi que ele era um cara muito bonito. O rosto. Os cabelos já começando a querer cair. Barba por fazer. Se ele não me tirasse do transe em que me meti, nunca teríamos nos beijado. Ele falava ao telefone quando veio a mim. Eu já estava com o corpo enfiado no sofá como se quisesse fugir pra dentro dele, e sumir. O agora me escapa e fico vivendo outra coisa, e nem sei do futuro, pois vou perdendo o presente. Eu estava ali, havia um cara que me queria e eu não sabia o que fazer. Não sei bem quando foi o momento exato que perdi o jeito, era difícil mostrar que eu era um adulto sexualmente disponível, pois o sexo pra mim já havia se tornado algo mais imaginário do que real. Pareço assexuado ao olhar do outro. Pareço inapto ao sexo. Sexo é o encontro que dura cinco minutos entre meu pau e a minha mão. Ele me beijou. Esse beijo foi despertando o que estava adormecido em mim. Depois do sexo veio um silêncio, meus olhos fitavam o escuro do quarto procurando algo perdido, ou apenas estáticos, sem acreditar no que acabava de acontecer. Ele ficou preocupado e perguntou se havia algo errado, e, claro que havia, pois aquele silêncio não cabia ali. Meu olhar perdido e meu silêncio, estavam me acusando do crime que eu acabava de cometer. Talvez dormir fosse a solução, talvez qualquer tipo de comentário ou um beijo. Antes eu havia dito que gostaria muito de agradá-lo, mas não sabia como. Era verdade, não sei bem como demonstrar o que sinto e não sei fingir, então me julgam frio ou distante. Talvez eu não estivesse completamente ali. Creio que gosto mais da antecipação do sexo, do que do ato em si. Gosto do tesão da espera. O sexo sempre acaba com tudo. O melhor sexo está em nossas cabeças. Meu maior medo era foder meu coração, mas antes disso, tinha o medo de minha aparência não satisfazer a ilusão que ele previamente havia criado de mim. Minha velha companheira: a insegurança. Vimos um episódio de Two And A Half Man no laptop e comemos hot-dog. Fomos para o quarto mais uma vez. Meu olhar contemplativo vinha e o fitava. Cá dentro uma agonia querendo sair. Ele me dizia que meu corpo era lindo, que minha boca era muito bonita e que meus cílios eram surpreendentemente grandes, assim como meu pau e minha bunda. Enquanto me abraçava nu ele disse que era só meu, eu fiquei mudo. Na manhã seguinte após uma noite mal dormida, bebi um copo de achocolatado ruim e comi alguns biscoitos. O irmão dele havia chegado em casa, era mais gordo e mais peludo do que eu havia imaginado, eu estava novamente desconfortável. Sei que estou estragando tudo ao ser tão literal, estou mostrando demais aqui. Vou escrevendo o que vem. Deixo o texto sair sozinho. Estou tentando evitar amar nesse primeiro momento. Deve ser culpa do horóscopo, só pode ser. Oras! Preciso culpar alguém e nem acredito em horóscopo. É bom saber que estou me movendo adiante, enquanto tem pessoas que ficam patinando sobre os mesmo erros e não aprendem. Semana que vem eu não sei. Por enquanto tudo acaba aqui. Não sei o que sinto por ele. Não sei o que ele é meu. Não sei se ele será algo meu. Por enquanto somos ficantes. É isso? Acho que sim. Ouvindo Strokes eu reparei numa frase que resume bem os relacionamentos que vejo por ai, e sei que a maioria das pessoas pensa assim, então eu deveria seguir essa linha de raciocínio, talvez eu me machuque menos: Oh no, my feelings are more important than yours.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
O Sinuoso Deadend é o novo diário virtual de Rafael Franco. Gostei dos detalhes.
ResponderExcluirI always admired how open you are...how vulnerable you are to let everyone see the "real" you..the beautiful you.
ResponderExcluir