domingo, 17 de julho de 2011

Todo mundo gosta de rock britânico

Tenho orgulho da minha insanidade, ela é a parte de minha liberdade que tem nome. Sou imprevisível, daqueles que você pode esperar qualquer coisa e mesmo sabendo disso, sempre se surpreende. Coloquei uns discos pra tocar. Todo mundo gosta de rock britânico, certo? A lista de bandas que sempre dizem o que eu preciso ouvir é imensa. Estou enrolando porque sou um idiota que não sabe escrever. Eu escrevo feito uma puta velha e amarga. Ou feito uma adolescente vigem que não entende nada de amor e vida e olha  pra tudo isso com olhos brilhantes de espanto e curiosidade e não sabe o que fazer. Meu vocabulário é vulgar como o de um cafetão que escarra depois de jogar a bituca do cigarro em cima de uma  poça de sangue num beco escuro e úmido. Não uso palavras dificeis, quero simplificar, quero a língua da rua. Não preciso fazer com que pensem que sou inteligente. Prefiro ser burro. Errar é mais fácil, tenho preguiça de acertar. O sexo pra mim sempre foi algo mais obscuro do que saúdavel. Alguém me disse algo parecido com isso hoje e foi o que sempre pensei. Há algo no sexo que assusta porque o sexo é mais uma coisa que não controlo, e é uma dessas necessidades que só fazendo. Tesão é um tipo de fome. Tenho passado fome últimamente. Preciso aprender a mentir, dizem que machuca menos. Já não importa o querer. Já não importa o sorriso que sempre tenho no rosto pra te oferecer. Não importa que estou sofrendo como nunca antes, que tô perdendo peso e querendo me dopar pra anestesiar a dor. Você sempre tem um ombro amigo. Meus amigos só aparecem depois do primeiro gole. Você tentou me ligar e meu celular estava descarregado. Fazia tempo que você não ligava pra mim. Tenho azar no jogo e no amor. Não conheço a sorte. Só a sorte de ter te conhecido. Aposto que você não se sente sozinho como eu. Aposto que encontrou alguém mais bonito e normal e que consegue lhe dizer as coisas certas, coisas que quero dizer e não consigo. Aposto que essa pessoa disse essas coisas de uma forma bem melhor e mais clara, de um jeito   que eu jamais conseguiria. Eu só queria que você gostasse mais de mim do que dos outros. Mas isso é pedir demais, né? Sou o pior deles. Se você gosta, é bom falar, porque minha solidão provoca amnésia. Sou meio bicho. Acho que serei enterrado num cemitério de animais. Minha vida é um banheiro que fede o tempo todo. Escrevo como um mendigo dentro de uma lata de lixo se afogando com o próprio vomito. Escrever é sempre um grito. Não vou mais ficar de porre, não quero outro copo. Meu único vício é você. E só para não esquecer, você pode me chamar do que quiser.

2 comentários:

  1. From deep within your heart and soul...the pain of heartbreak. I am drawn more and more into this story...beautiful.

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