domingo, 24 de julho de 2011

Overdoses

Vou tendo overdoses. Coisas que são além da capacidade do meu corpo suportar. Sinto-me de alguma forma órfão. De alguma forma Amy Winehouse também era minha mãe. Pode ser que a culpa tenha sido mesmo do Blake, o ex-namorado que a apresentou ao mundo das drogas e depois deu um pé na bunda dela. Nem sei, mas precisamos colocar a culpa em alguém. Lembrei agora do caso do Kurt Cobain e da Courtney Love. O amor é sempre o culpado. A morte dela veio para provar que usar drogas não é cool e quem quer levar uma vida de junkie não quer mais nada além da morte. Eu nem penso em me drogar. Não posso nem encher um copo. Acho que se fizesse isso agora morreria aos 27 anos, ou antes. É que sou solitário e tenho tendências depressivas e autodestrutivas. Ás vezes procuro também uma coisa que me faça sair do agora. Porque o agora é uma merda. A realidade é foda, encará-la de cara limpa é para os fortes. Minha fuga não é pelas drogas, eu fujo por linhas. Eu fujo pra você. Eu imploro por qualquer coisa que você queira me dar, qualquer coisa que venha de você. Eu imploro por carinho e se isso não for possível o que vier tá bom, eu aceito o ódio ou o desprezo, eu aceito o que vier, desde que venha de você. Parece que ando perdendo tudo.  Você anda me evitando e isso já tem alguns dias. Minha força é passageira, há dias que posso sobreviver bem sem falar com você e há dias que não, há dias que eu só preciso de um "oi" ou de um sorriso bobo. Na sua ausência me falta o que é mais importante em mim. Você me nega a felicidade. Você renega o amor. Você renega o cara que faria tudo por você. Dane-se! Ninguém se importa se eu tô mal ou se esse vazio pode crescer a ponto de me fazer sumir. Esse vazio pode me engolir. Achei que esse amor ia me curar, mas só está infeccionando. A dor já nem existe, já ultrapassei ela. Os golpes que você me dá, mesmo sem querer, são recebidos por um corpo dormente, amortecido, que não tem forças para reagir e se entrega. Um corpo que já nem tem força pra sentir ou sofrer. O que sinto é além da dor. É perceber que até a esperança e a fé estão danificadas. É saber que não adianta mais fazer nada. Vou recusando esses convites que podem alimentar minha sede por destruir o que sobrou de mim. É melhor nem dar o primeiro gole. Não consigo descrever como é a vida sem você, é escuro, mal posso ver. Não consigo. É que justo quando eu havia aprendido que eu também podia amar, você veio e arrancou o meu sorriso. Meu sorriso que era você.

3 comentários:

  1. Ela morreu, porém deixou um legado imortal. Você não vai morrer com 27 anos, mas com 80 anos e dançando arrocha.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. "My smile was you" How beautiful that one line is yet sad.

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