Sou o namorado de ninguém. E minha tristeza é saber que esse amor ainda existe em mim e não mais em você. Digo isso porque eu tenho uma necessidade tão grande de falar contigo, de ter você por perto, que só pode ser amor. Há dias que eu estou me sentindo muito mal e o único remédio é ouvir sua voz, por isso ligo. Já sei, eu preciso procurar outros rumos, assim como você tem feito. Tentar outras pessoas. Não sei, não tenho vontade, talvez eu seja mesmo antiquado ou simplesmente idiota. Não sou de ficar caçando. E, por sorte, havia encontrado uma pessoa especial que agora não me quer ou espera algum sinal ou sei lá o quê. Meus olhos marejados não conseguem mentir. Digo que vou superar e o máximo que consigo é não morrer. Você sabe que eu tento bancar o certinho-equilibrado, mas não por muito tempo, logo-logo eu começo a pirar. Isso é até engraçado, que dizer, imagino que seja pra quem vê tudo de fora, por que de dentro não tem graça, é só amargo. Ás vezes consigo superar só bebendo. Na maioria das vezes só bebendo mesmo. Ser saúdavel é um saco. Você tem me tratado melhor ultimamente, eu ando gostando. Você recebeu a carta estranha e desesperada que te mandei. Você disse que se fosse uma mulher teria odiado, tamanha a falta de capricho. É que o importante é o conteúdo. Você disse que se você fosse mais sensível, eu não teria a mínima chance. Parece que eu ainda tenho chances. E eu fico tentando te ter de volta enquanto você conhece outros pretendentes. Você me contou que foi encontrar uma pessoa e no fim das contas acabou desistindo. Eu gosto muito quando você é sincero comigo. A sinceridade é uma das coisas fundamentais para uma boa relação, seja ela qual for. A sinceridade nos aproxima. A verdade aproxima as pessoas. Mas claro que dói um pouquinho saber que você pensa em outros. Saber que você não atende meus telefonemas. Eu não quero me sentir como o substituto. Quero ser o titular. E não quero que haja reservas. Eu queria ser o suficiente. Eu só queria ser seu. Eu seria a pessoa mais feliz do mundo se tivesse você como namorado. Meu corpo só seria seu e de mais ninguém, assim como tudo que trago aqui dentro. Eu digo que tenho fé em nós, mas parece que sua fé em nós já está abalada. Você diz que somos complicados demais para darmos certo. Você parece nem querer tentar. Desculpe se estou sendo um pentelho, um mala ou o Rafael que sempre esperam que eu seja. É que sinto sua falta. Não sei se você entende o que sinto, porque na verdade nem eu entendo. Se fosse pra escolher, eu não gostaria de estar assim. Afinal é algo que é só sofrer. Não tenho mais ânimo para festas, porque sempre que penso em festa, me lembro da última, aquela onde te perdi. No fundo você gostou da carta que te mandei, mesmo sendo toda fora de ordem, com folhas amassadas e aleatórias e minha letra de criança retardada. Mesmo eu tendo escrito trechos em um papel de presente amassado, aquele que tu embrulhaste o livro que eu tanto gostei de ganhar e ler. Você disse que daqui a pouco eu vou estar escrevendo até em folhas de bananeira. Eu não sou romântico. Nunca fui. O romantismo sempre me irritou. Pessoas muito apaixonadinhas sempre me enojaram. Agora eu sou uma delas e entendo o estado débil que é estar amando alguém. Você perde muito do que você é. Mas se é correspondido, talvez não se perca muita coisa, e se o amor for grande, é apenas somar. Tudo que vem do amor é lucro. Mudar é apenas uma parte do processo. É algo que vai acontecendo sem percebermos. Eu sempre fui natural, sou o que sinto e não consigo disfarçar. Isso pode ser algo bom ou ruim. Meus amigos dizem que sou esquisito naturalmente, tento levar isso como elogio. Falando em elogio, me disseram que eu pareço com o Julian Casablancas do Strokes. É possível? Acho que não. Esses dias eu tenho me achado bonito. Não sei o que houve comigo. Algo não está certo. Você teve que ir até o correio para pegar a carta que te mandei, isso é um bom sinal, você queria saber o que eu tinha a dizer. Não sei ser romântico. Não sei lidar com o gostar infinitamente de alguém. Não devia ter me metido nessa. Estou em zona proibida. Ontem você fez eu me sentir especial. Você disse coisas lindas e conversamos bastante. É sempre bom ter você por perto. Acho que fazemos muito bem um para o outro. É que somos pessoas complexas. É que você parece que anda com medo de alguma coisa. Tô tentando entender. Você disse que queria me beijar muito. Eu fiquei vermelho na hora, sou bobo, e meu rosto esquentou rapidinho. Acho que o problema é mesmo a distância, mas se você dissesse que me ama, claro que venceríamos, não há dúvidas disso. Os adolescentes são cruéis e acham que sempre tem razão. Eu estava falando isso com um amigo meu. Acho que a adolescência é uma espécie de ápice da vida. E pode ser que os adolescentes tenham mesmo razão, afinal eles estão no ápice, estão no melhor da vida, e talvez os outros não entendam isso. Talvez eles estejam mesmo errados. Mas a vida vai passando e algo de humildade vai aparecendo e eles vão entendendo que as coisas não são bem do jeito que pensavam. E eles começam a se colocar no lugar das pessoas antes de cometerem seus atos impulsivos. E por isso mudam. E por isso vão se tornando mais sábios e humanos. A maioria dos adolescentes que conheço são meio vilões, que pensam mais em si do que nos outros. O egoísmo não é uma qualidade. Olha eu dizendo o óbvio. Olha eu fugindo sempre do assunto. Crio assuntos pra fugir do principal, que é você. A solidão é uma amiguinha chata que eu tenho, ela fica me expremendo o peito até doer tanto e cansar e eu perder a respiração. Você é minha ligação com algo maior, algo que nem quero entender, só sentir já me deixa louco e feliz, não entender ás vezes é melhor. Deixa assim.
sábado, 9 de julho de 2011
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Ficou muito bom!
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