Não tenho amigos. Se tivesse pelo menos um bom amigo eu não estaria aqui sozinho agora. Escrever é a amizade que não me dão. Escrever é a única forma que encontrei de dizer o que penso, a única forma de ser ouvido, a única forma de escapar de mim, pois nem eu me aguento. Meu tempo é tão precioso e tenho gasto ele de forma tão infantil e inconsequente. Essa semana muita coisa mudou. Você me disse que me ama. E eu aguardei sentado, dias intermináveis, esperando por isso e quando chegou veio junto uma felicidade que não pude conter e converti em lágrimas. E elas vieram tímidas como de costume e a bochecha esquentando e vermelha e eu disfarçando para que as outras pessoas do local não percebessem o estado em que me encontrava. Eu só queria te abraçar ou talvez correr. Espero que dessa vez dure. Ontem você já estava estranho e não quis me contar o motivo. Eu gostaria que você confiasse mais em mim, mas não posso lhe pedir isso, só posso esperar que venha naturalmente. Nós, os esquisitos, só podemos agir dessa forma. Talvez eu seja esquisito porque ajo como quero agir, sem frescura. Não sei jogar, eu já disse isso, mas você é um ótimo jogador. Eu só sei o que é game over. Não tenho controle-remoto. Você se esconde. Ainda acredito que você seja um dos meus. Você gosta de brincar comigo. Você gosta de saber que sou seu, gosta de ser meu dono, mas não quer ser meu e não se entrega. Eu queria ser um bom jogador. Nós, os esquisitos, falamos o que pensamos sem se preocupar com o que os amigos vão achar ou se é permitido por eles ou não. Meus amigos não mandam em mim. Meus amigos nem me conhecem. Aliás, claro que não me conhecem, eu não tenho amigos. Agora sei que sou sozinho e talvez sempre serei. Mas de vez em quando algo em mim grita implorando sua companhia. Eu tento ignorar essa voz. Meu coração sem ritmo me diz pra te ligar. Me sinto na obrigação de dizer o óbvio porque tem gente que parece não entender. O que é o amor? Acho que amor é gostar muito-muito-muito mesmo de alguém, que daí já num é mais gostar, é mais, é outra coisa. Você consegue me fazer sentir como se eu fosse o cara mais feliz do mundo ou o contrário. Você manipula facilmente meu humor. Estou tentando tirar esse poder de você, porque é muito complicado suportar isso. As suas incostâncias. Os seus altos e baixos. Preciso te conhecer pessoalmente, preciso saber que é de carne e osso e assim talvez entender melhor as coisas. Falei que os adolescentes são cruéis e sempre acham que tem razão, isso de fato é verdade, mas não deveria ter generalizado. Odeio qualquer tipo de generalização. Odeio quando falam que todos os japoneses são iguais ou coisas desse tipo. Percebo que ás vezes as pessoas acham minha vida patética. Me sinto um figurante da minha própria vida, um coadjuvante. Não quero ser um daqueles que ficam em torno do personagem principal, sabe? Então, eu não sou um deles, apesar de alguns pensarem o contrário. Nós, os estranhos. Nós, os esquecidos. Ser assim é também ser livre. Fazemos o que deve ser feito. Não sei porque estou falando no plural hoje. Acho que é uma forma de me enquadrar em algum grupo e me sentir menos solitário. Uma dessas tentativas de enganar os fatos. Ao chegar em casa ontem, peguei o final do filme Clube dos Cinco, um dos meus favoritos. E chorei. Chorei mais uma vez. Chorei mais por você do que pelo filme. É que ao chorar, me lembrei de que você disse que também se emociona vendo filmes. Você disse que é uma manteiga derretida. Eu nunca fui de me derreter tão fácil. Não quero te cercar mais. É cansativo ficar tentando chegar ao seu coração dessa forma, meio que forçando tudo, meio que atropelando, meio que usando uma britadeira para quebrar o gelo. Algo me diz que é impossível ser feliz tão sozinho assim. Não sou um brinquedo e suas brincadeiras cada vez me machucam mais. Você diz que me ama e não quer ser meu namorado. De qualquer forma você ainda habita meus pensamentos vinte e quatro horas por dia. De qualquer forma eu não consigo me desprender de você. Ás vezes parece que você gosta de me ver perdendo o controle, ver meu desespero parece te fazer feliz. Amar é ser uma garotinha brincando com um revolver carregado. O grande problema é que você me da mais dúvidas do que certezas. Eu eu preciso de alguém que consiga curar minha ansiedade e insegurança. O problema não é seu, eu sei. O problema é todo eu.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
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Você tem amigos...
ResponderExcluirYou are not alone and you do have friends....I may not be near but I am never far.
ResponderExcluirsim, tu tem amigos! fico realmente preocupada quando te leio. Tu sabe que pode contar comigo sempre e sempre.
ResponderExcluirbem vindo ao meu mundo sombrio!
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