Quero quebrar narizes. Só pra ter o prazer do sangue em minhas mãos. Só pelo prazer de cometer um delito. Crime maior é ficar imóvel. Acho que comi muita maconha. Hoje acordei meio non sense. Arrotando whisky e cheirando o pó dos móveis. Pensei que fosse um lobisomem e a moça gostosa se recusou a me chupar porque eu tinha muitos pêlos. Preciso parar de ficar bukowskiando. Achei que fosse uma barata meio morta sangrando branco e assustando o moço loiro. Senti alguém mastigando minha orelha, ela não se desfazia e os dentes eram insistentes e não me deixavam em paz, queriam me comer. Pensei que pudesse passar impune por ser o que sou. Pensei que não notariam. Um fim de estrada sempre precisa de alguns atropelamentos. É que sempre tem alguém que está prestando atenção em você, justo quando você se sente a vontade para coçar o saco ou enfiar o dedo no nariz. Acho que já ficou claro que sou feio. E ser feio não é defeito. Eu me orgulho do feio. Me orgulho de todas as minhas falhas. Vou crescendo. Quero quebrar tudo aquilo que me quebraram. O pescoço danificado. No tapete encontraram uma mancha de sangue, cheiro de vinho no ar, um rastro vermelho em tudo. Esse besta aqui não existe mais. Esse idiota encontrou uma resposta e essa resposta a partir de hoje é não. Eu esperava um inferno se transformar em paraíso, mesmo sabendo que milagres não existem. Eu que nunca li nenhum livro sagrado, porque eles nunca falaram a minha língua, prefiro pornografia barata ou histórias em quadrinhos. Quero tudo que me tomaram. Quero tudo de volta. Tudo isso que levaram faz muita falta aqui. Eu que já tinha tão pouco. Estou aqui para exigir o que é meu por direito. Não sei de onde vem essa raiva de qualquer coisa. Tenho certeza que não é raiva de você. Nem das coisas que tenho certeza e nem digo. Pois tem coisas que se não ditas talvez nem existam. Eu vejo o que não ninguém vê. Eu sinto o que ninguém sente. Eu faço o que ninguém faz. Eu amo como ninguém ama. E eu mereço ser amado. E se eu fosse um travesti e corresse até um estranho oferecendo sexo por alguns centavos. Como seria a vida? Como esconderia meu pau, quando ele ficasse duro? Essa vida é estranha. E se eu fosse qualquer coisa que você mais odeia? E seu eu pudesse me libertar e assim te salvar de mim? Esconderam todas as respostas da minha frente. De alguma forma, toda essa coisa ruim que sou, tem muito valor. Agora posso ver. De alguma forma, toda a minha estranheza, também é meu tesouro. Quer dizer, isso é o que dizem, certeza nunca tenho. Estou dizendo essa merda agora, amanhã negarei tudo. O sensato seria acabar com esse namoro cibernético. O sensato seria acreditar no que podemos tocar e ver e sentir o cheiro, o gosto e a dor de perto. Mas o que fazer com esse amor? Enfiar no cu? Não da, é muito grande. Esse meu amor perturba tanto todo mundo. Eu só preciso que de algum modo você me devolva, as palavras, a vida, tudo, para ficar equilibrado. Estou mais acabado agora. Eu ganhei um amor pelo correio eletrônico e, até agora, esse foi meu melhor romance, talvez o único. Ele veio lindo e com promessas que encantariam qualquer um. Só estou aqui para denunciar o que fizeram comigo. Deixaram ele ali, todo fodido, caído e cheio de hematomas. O coitado foi estuprado. Deixaram ele morto, azulado e frio no chão. Mataram meu coração. Não importa quantas taças tomei, nem a forma estranha como dominei a pista de dança. O que sinto sempre vem à tona e, quem espia, sempre vê um rastro da minha loucura. Qualquer coisa que eu faço mostra que te amo. Amar é se perder pra sempre nessa insanidade que é a luta entre o cérebro e o que sentimos. Preciso triturar. Preciso soltar o que está preso. Qualquer festa em mim tem o efeito inverso. Me deprimo. As festas estão muito fora. Dentro aquela coisa de sempre, meio The Smiths, sabe? Beber e rir e dançar até as pernas caírem, não vão te trazer pra perto. E essa distância já vai se concretizando por aqui e meu tamanho não compete com ela. Ela não cabe em mim. Me abre. Esse estupro. E quando seu amigo te deixa e some bem no meio da festa, quando você mais precisa dele. Cansei de me esforçar tanto tentando encontrar diversão. E essas amigas que só me chamam quando querem beber o meu dinheiro. Tão putas. Quero cortar esses dedos que falam mais do que quero dizer. Escrevo em preces. Escrevo gritando na esperança de ser ouvido.
sábado, 18 de junho de 2011
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Bukowski de Belmonte!
ResponderExcluirWow powerfull and scary!!
ResponderExcluirGreat writing my friend!
Cara adorei esse desabafo. SÉRIO, vai escrever um livro. Tu tem muuuuito conteúdo.
ResponderExcluirTexto tão forte, conseguiu escrever tudo do jeito mais foda possível. Incrível! Adorei!
ResponderExcluirNossa ... que palavras fortes essas.
ResponderExcluirSua explosão foi perfeita!!!