sábado, 4 de junho de 2011

Submundo

Olha aqui, eu venho para esclarecer, porque já não aguento essa escuridão. Pertenço a um submundo que não tem a ver com drogas, prostituição e nem promiscuidade. Vou fazendo tudo do que não tenho. Sim, tenho vícios, porque transformo tudo em vícios.  Tenho vários, o café, o miojo, um amor não correspondido, um namorado, qualquer coisa que eu me amarre e seja um alicerce. Trago essas sinuosidades em mim, becos sem saída. Algo que me da uma revolta, uma inquietude, vontade de mandar tudo pro inferno. Calma, já me aproximo do que estou dizendo. É que a realidade me toca com luvas, e não sinto suas digitais, sinto algo fofo, nada humano. Ele veio todo coração e desejo, e me tirou de um esgoto de vida. Eu não sabia que poderia ir além. Estou num caminho todo novo, por isso esses medos das sombras e de qualquer recado ou cutucada no Facebook. Por isso um medo desse mundo que é luz. Do submundo aonde venho há letras, livros e frases intermináveis, há discos e músicas poemas. De onde venho há uma fome de escrever até cair-me os dedos. Ele do seu trono regozija a realização, talvez por ter conseguido me conquistar, talvez por ter me tirado do canto. Talvez por ter provado que conseguiria me seduzir, me fazer dele.  Ele que é leão, consegue me devorar. Me salva e mata. Me cospe e come. Me beija e me soca. Não há nada que me faça calar essa grande boca que escreve. Nada que seja proibido aqui. Esse submundo não é ficção, é uma cidade inteira, um metrô que me atravessa a coluna vertebral, meio montanha-russa, com pessoas gritando, meio roleta russa, um tremor. Escute bem, isso aqui é o fim de uma longa estrada. Estou bem na curva. Adoro meu inferno. Sofro por prazer. Será? Por que mais seria? Sofro por ser inevitável e por ser o doce da vida. Sofro pra vida ter graça. Minhas repetições. Minhas coisas que vão e vem e nunca acabam. Esse amor que me tira o que tenho e me da um universo todo. Esse amor que me mostrou uma fresta. Esse amor que vai me tirando do submundo e vai o transformando em algo que ainda não entendo. Tente me ver além do corpo, do rosto e do comportamento estranho. Tá, eu não tenho um rosto lindo, mas dentro, não tenho fim. A cafeína vai escapando pelos poros. Não preciso de talento, sou o que tenho, e se não tenho, eu faço, eu exercito, eu crio. Talvez eu goste do amargo. Talvez o contrário. Meu submundo é não ter. Meu submundo é não saber viver. Meu submundo é morar dentro dessa vontade que move, esse fluxo de inconsciência, esse transe. Meu submundo não tem mapa, por isso me perco. Meu submundo me falou que ele não existe e é só uma voz que me diz o que fazer ou me confunde mais. Ele saiu no sábado à noite. Eu fiquei em casa rezando baixo porque não creio em milagres. Rezo escrevendo. Rezo em silêncio. Não tenho santos. Só tenho esse submundo, tenho fé nele e em mim. E vou rezando para que ele exista.

5 comentários:

  1. Beautiful my friend..........beautiful!

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  2. Esse amor que me tira o que tenho e me da um universo todo.Tão lindo.Tão across the universe.*_*

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  3. "Talvez eu goste do amargo' me too! =)

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  4. Você também é foda... Transitemos um no sub...mundo do outro!

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