Preciso de algo que me segure durante a sua ausência. Qualquer coisa que me mantenha inteiro até você chegar no fim do dia. Uma coisa que distraia o tempo da solidão. Distraia esse vazio que você deixa quando sai. É que você leva muito de mim quando me deixa. Você me leva junto e o que sobra é só a casca. Vou escrevendo. O que escrevo? Acho que escrevo minha própria história. E se eu falhar? Foda-se. Ás vezes tenho orgulho desse grotesco que mora em mim, ás vezes tento expulsá-lo. Sobre chorar? É mais fácil meu globo ocular cair do que uma lágrima sair de meus olhos. Eles preferem assim, eles preferem explodir. Eles preferem ir ao limite. Eles são tão eu. Eu que sem você fico sem lugar. Sem morada. Sem paz. Eu que confundo paz e caos. Eu que ingênuo acredito em tudo que você me diz. Eu que quebro a cara tantas vezes. Eu que deixo me usarem. Eu que uso as pessoas. Eu que não sei usar e ser usado e sempre acabo me machucando. Seu silêncio me apavora. É que há uma criatura que nos persegue. Uma coisa que não entende a vida. Ás vezes penso que você não tem certeza de seu amor por mim. Ás vezes, quando penso isso, eu falto morrer. É que um desespero sempre me pega nesses momentos. Uma agonia de não ter mais você. É que já nem sei se quero mais me entregar tanto, porque quando me entrego, sumo. Talvez você devesse deixar seu ex no passado. Todos eles. Você pensa muito em sexo. Quem não pensa? Mas isso não é tudo. Ás vezes gostaria de não sermos tão dependentes do sexo. Seria tudo tão mais simples se pudéssemos viver sem ele ou, ao menos, controlar esse desejo. E tudo isso vai me consumindo como se fosse desabar a qualquer momento e o fato é que já estou caindo faz tempo. Sempre arrumo um junto de ir mais fundo. Preciso construir um eu para poder sobreviver a sua ausência. Preciso não me incomodar com o urubu ou, seu ex, que ronda os restos de um amor morto. Ou ainda há amor e eu é que não sei? E agora você tem medo de me revelar tudo que pensa, sente e faz, porque afirma que eu sempre saio do controle, sou ciumento demais. Você está enganado, não sinto tanto ciúmes, sempre quando me irrito, tenho razão. E se perco a razão, é porque você vai me tirando de perto dela e me confundindo com o seu amor, ou, o amor que você diz que sente por mim. Pode ser que eu tenha me tornado passional demais. Só sei que não aguento nenhum espaço entre nós. Só sei que não suporto ninguém entre nós. Qualquer tempo na sua ausência parece não ter fim. Você disse que me quer para seu marido e eu construo todo uma vida de casado só com uma frase que você me deu. Você me fez acreditar que talvez eu possa realmente ser amado e isso pode ter me dado uma nova visão: Agora eu também posso me amar. Só não quero que isso evapore. Já faz quase um mês. E vou aprendendo que há mais pedras no caminho do que imaginei. Podemos chutar essas pedras e talvez fazer um gol.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
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- Perfeitoo ,
ResponderExcluirAmor, desejo, saudades, medo, dúvida...
ResponderExcluirAdorei!
"Você me fez acreditar que talvez eu possa realmente ser amado e isso pode ter me dado uma nova visão: Agora eu também posso me amar."
ResponderExcluiramor próprio; é algo tão, mais tão importante. Gostei tanto de ter lido isso.
Beautiful...just like you.
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