terça-feira, 7 de junho de 2011

Sobre o mergulho que te prometi

Pois é, eu continuo cumprindo promessas. Estava sol, eu carregava um frio entre os pulmões, a tal colina da melancolia que já falei por aqui. Ela me abre ao meio, me fatia feito pão. O que sinto me explora e eu fico sem reação, perdido em sensações. Só queria estar mais perto. Ás vezes eu gostaria de estar morto. Só sei que a morte é um fim, e viver nesse meio que é a vida, está cada vez mais insuportável. Parece que querer fazer o certo, sempre me leva pro lado errado. Viver dói.  Vou procurando novas maneiras de estragar tudo, você bem sabe disso. E você, em vez de ter paciência e tentar entender o meu lado, fica mais puto do que eu, e tudo vira uma bola de neve.  Não quero que tudo acabe assim. Não quero que se assuste e fuja, isso não combina com você, isso tem a minha cara. A minha cara que você nem conhece direito. Que ninguém conhece direito. Alguns pensam que conhecem. Eu só queria um trailer onde nós pudéssemos morar em paz, a beira mar. Eu só queria que pudéssemos fugir de qualquer coisa e ir morar na Argentina. E se tudo desse errado nós poderíamos ficar em alguma avenida de Buenos Aires traficando drogas juntos, não seria romântico? Poderíamos nos prostituir e assim construir um império. Poderíamos vender os nossos rins. Talvez eu só esteja mais uma vez perdido. Já estou tão acostumado a me perder, que me perder, parece mais certo do que o caminho certo. Me perder sempre me mostra o caminho de uma forma ou de outra. Tá, eu corri mais uma vez pro mar, como se o mar fosse me salvar das ondas que sinto aqui dentro. É que o mar é uma espécie de materialização do que sinto, que muda muito, mas sempre está ali, ás vezes mais forte, ás vezes calmo, mas sempre em ondas. Se você pudesse entender que só não consigo controlar o amor. Não sei se é amor, já falei mil vezes isso, é que falar em sentimentos me perturba. Não sei dar nome as coisas. Tirei a camiseta, havia poucas pessoas ali, corri até o mar e pulei. Pensei na única pessoa que tem realmente habitado minha cabeça nessas últimas semanas, e a água meio gelada me banhou. Eu  entrei de cabeça, como sempre faço, até o pescoço, até a água me afogar. Fiquei lá embaixo, esperando algo. Tá tarde pra falar que me queimei demais, que meu rosto está vermelho, que o mergulho que dei em ti me deixou sequelas irreparáveis. Sinto falta de cada gesto que não tive. Do seu hálito que não senti. Da sua mania de sempre quando eu estava bravo, virar o jogo de alguma forma, e me fazer achar que eu estava errado o tempo todo. Não admito ter um namorado sem nunca ter o beijado, nunca ter sentido o gosto da pele. O arranhar das unhas, os dentes. Não penso em acabar tão cedo, pelo menos o que sinto vai ficar aqui dentro durante um longo tempo, até um dia apodrecer e ser digerido pelos meus órgãos. Não sei o que fazemos de tão errado. O mergulho foi dado e não sei se posso voltar atrás. Não sei se eu não te mereço ou você não me merece. Não sei se a questão é essa. Ainda me afogo de tanto pensar em você. A saudade sempre arruma um jeito de me matar. E mais uma vez eu morri.

3 comentários:

  1. Venda os rins, faça sexo barato, venda crack, seja feliz -meio emo-, amém... Só Jesus salva! Ó glória, Senhor!

    ResponderExcluir
  2. So much emotion...hiding behind the pain of life and love.

    ResponderExcluir