domingo, 12 de junho de 2011

Onde os monstros se escondem

Vou mandar meu coração parar de gritar seu nome, porque isso pode estar me deixando surdo. E eu continuo seguindo rios. Lykke Li me disse algo do tipo. Ela conversa comigo, bem dentro do ouvido, e eu aprendo e sinto o que ela canta ao dizer. E tudo na voz dela parece fazer tanto sentido. Vou dançando enquanto posso. Nunca consegui ser coerente e não é agora que vou começar a ser. Eu faço sentido pra você? O que fazer com essa coisa de só querer você? O que fazer no dia dos namorados tendo você e você estando tão longe? O que fazer para eu parar de questionar sobre tudo? Quando se vai eu finjo que é noite. Eu sinto a noite. O escuro de não te ter. Eu só queria te mandar pelo sedex tudo que eu sinto, aí você entenderia. Aí você saberia do que tanto falo. E cada vez mais pessoas vão descobrindo sobre eu e você. Era pra ser segredo? Acho que não, isso tudo que sentimos é muito grande para ficar guardado, não cabe. Precisar tanto de alguém assim é perigoso. Mais perigoso ainda é quando essa necessidade é mutua. Eu disse que gosto de escrever. Talvez não seja verdade. Talvez seja uma necessidade. Uma urgência. Uma forma de acalmar todos esses filhos da putinha que moram em mim. Eu preciso escrever. Não é uma escolha, é a única saída que tenho. E no fim das contas acabo gostando de escrever, porque me tira monstros das costas. Sim, hoje é dia dos namorados. Você tem muito poder sobre mim. Você me salva sem saber. Você manda no meu humor. Você descobre onde os monstros se escondem. Você vai falando em casamento. E eu vou vivendo de promessas. Vivendo de acreditar. Você disse que mandaria flores, café da manhã na cama e um tamanho incalculável de carinho. Eu fico meio sem jeito porque você sabe exatamente o que dizer para me ter em suas mãos. E em suas mãos você também tem meu coração espremido. Ás vezes você brinca com ele. Ás vezes afaga. Ás vezes quente. Ás vezes sangra. Ás vezes penso ter ouvido alguns tiros. Ontem tive um sonho onde o mundo era um emaranhado de tábuas uma em cima da outra e escadas que ligavam os andares e pessoas subindo e descendo. Acho que realmente ouvi tiros. Você vai me ajudando a ser o que não consigo. Você vai dando tiros e acabando com esses outros que ainda restam aqui. Você vai me tirando de mim e talvez me revelando. Quero o teu nome no meu.

3 comentários:

  1. Quero o teu nome no meu... Seu nome de casado. Santa Lykke Li, sempre ao seu lado, sempre milagrosa.

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  2. " Want your name in mine" I love that line...so beautiful so perfect.

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  3. Que texto mais lindo! E tudo o que vou lendo acabo achando umas semelhanças que sempre acho incriveis como por exemplo nesse trecho "E em suas mãos você também tem meu coração espremido. Ás vezes você brinca com ele. Ás vezes afaga. Ás vezes quente. Ás vezes sangra."
    Sinto tanto isso. Esse poder sobre o coração também é perigoso. Muito, aliás.

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